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Inquérito "Mundo Hóquei"

Depois de terem acontecido vários - demasiados - "casos" relacionados com a arbitragem e a problemática dos cartões azuis, decidimos pôr "mãos à obra" e desafiar os treinadores do Campeonato Nacional da Primeira Divisão a responderem a duas breves - mas pertinentes - questões:

1) O que pensa da introdução da nova regra dos cartões azuis no início desta época?

2) O maior problema desta nova regra, é talvez, a falta de um critério de arbitragem uniforme. Concorda com esta afirmação?

Este Inquérito foi realizado através de e-mail ou directamente junto dos treinadores, entre os dias 24 de Janeiro de 26 de Fevereiro.

André Gil (HC Sintra)

1) Concordo com esta regra e considero que o princípio está correcto, no entanto parece-me que penaliza bastante os clubes com menos expressão na 1º Divisão. Este facto justifica-se não só, por estes clubes não terem possibilidade de construir planteis “extensos” em termos de qualidade (devido às suas dificuldades financeiras), que possibilite uma gestão adequada e desse modo não ficarem demasiado debilitados para alguns jogos, mas principalmente pela aplicação de critérios uniformes pelas equipas de arbitragem que invariavelmente beneficiam os clubes de maior expressão. Para além de ser fundamental a aferição de critérios uniformes de arbitragem, parece-me razoável discutir igualmente o número ideal de cartões (acho que 3 cartões azuis é notoriamente pouco para uma modalidade que exige tanto contacto físico) que corresponde a um jogo de castigo, bem como ao facto do número de cartões ser “limpo”, na passagem da 1ª fase para a 2ª fase.

2) Concordo, esta pergunta está respondida anteriormente.

António Chambell (Física de Torres)

1) Subscrevo a introdução da nova regra, porquanto, acho importante INOVAR, melhorar e optimizar, por forma a tornar a modalidade mais competitiva e fazer c/ possa crescer em praticantes e admiradores, tendo em conta, naturalmente e sempre a componente:
Espectáculo/Publico/Mediatização.
Contudo e atendendo aos actuais quadros competitivos, julgo que, em vez três, deveriam ser cinco, sendo certo que na segunda vez, a suspensão, deveria ser “em dobro”.
Mais, os próprios juízes, deveriam ter instruções por forma a não penalizarem nos mesmos modos, situações distintas, que depois originam a atribuição dos mesmos cartões (azuis).
Neste âmbito, julgo mesmo, que seria importante clarificar e corrigir, por forma a proteger, naquilo que é possível a figura do próprio juiz,- como parte importante e indispensavel na competição, não lhe permitindo protagonismo (por vezes prejudicial), mas valorizando-o.

2) Em parte, a resposta está no numero anterior, todavia, importa, também, ter a noção de que o arbitro, apenas, cumpre a regra, ele interpreta-a, no momento, e por vezes, em situações complexas. Penso que não será uma questão de critério, mas, o próprio conteúdo e o seu próprio enquadramento, relativamente a outras regras e/ou aplicações.
Provavelmente, passa pelo facto das pessoas da modalidade nunca dialogarem, em sede própria, sobre esta e outras questões, e muitas vezes, como sabe, estas regras e tantas outras coisas que acontecem entre nós, são “cópias” de situações exteriores ao nosso contexto ou à nossa cultura competitiva, que depois, mais tarde, e quase sempre, por o serem, deixam de ter aceitação, sendo que, na minha óptica, mais grave ainda, é, que muitas vezes, no inicio dos campeonatos elas são óptimas, inovadoras, vem alterar e melhorar tudo, mas, com o decorrer da competição e com os resultados menos bons, tornam-se negativas e “mal-amadas” , e é nessa altura que já ninguém se lembra de quem as tentou implementar ou fez passar.
E é necessário, naturalmente, distinguir as coisas.
Importa que com brevidade as pessoas da modalidade, e para mim, a modalidade são as pessoas, que como você, os árbitros, os atletas e eu, que por razões e tarefas diferentes vivemos no seu seio e que como tantos outros, com pensamentos e ideias igualmente diferentes, co-habitam e interagem, como e entre nós, por conseguinte, para mim, a modalidade, SOMOS TODOS NÓS e temos que rápidamente pensar e procurar abrir novos caminhos, novas fronteiras, deixar-mo-nos de reservas, despindo-nos de preconceitos ou métodos ultrapassados e situar-mo-nos no tempo, estamos em pleno Sec. XXI e é preciso procurar fazer desta modalidade, uma modalidade universal como tantas outras.

Carlos Dantas (SL Benfica)

1) Defendo, mas com 5 cartões azuis. Outra situação que deveria ser ponderada era a questão dos ciclos. Defendo que cada jogador quando termina o ciclo neste caso de três cartões seja punido com um jogo, mas quando terminar o segundo ciclo de mais três jogos, seja punido com dois jogos e que se vá agravando ainda mais consoante os ciclos cumpridos. Da forma actual acaba por beneficiar as equipas mais duras.

2) Acho que esse é outro dos problemas actuais. Há uma falta de uma linha orientadora por parte dos responsáveis pelos árbitros, já que vemos dupla que são capazes de mostrar 2 ou 3 cartões por jogo, como há outras que são capazes de passar um jogo a mostrar cartões.

Fernando Almeida (ACR Gulpilhares)

1) Não. Se colocássemos esta “questão” em cinco cartões, se calhar era mais honesto. Honesto no sentido em que todos os jogadores cometem faltas, e em caso de castigo uma equipa como a nossa fica muito desfalcada. As equipas mais “poderosas” conseguem controlar muito melhor as suspensões, pois têm maior margem de manobra para limpar cartões. Como exemplo, o facto de na última jornada da primeira fase, houve bastantes equipas de entre os oito primeiros que aproveitaram essa jornada para “limpar” cartões. Como isto se passou no dia de Carnaval, não dá uma imagem credível do hóquei em patins.
Por outro lado, se fosse feito um estudo, entre os cartões mostrados na última época e na actual, tenho quase a certeza absoluta que este ano foram mostrados mais cartões. Mas porquê, se o hóquei não se tornou um jogo mais violento de um dia para o outro?
Esta regra foi “importada” das competições internacionais, e foi decidida pelos clubes “mais fortes”, que quiseram esta mudança para defesa dos seus atletas. Acho muita piada a esses treinadores, que são os que se queixam mais, quando eles podem gerir os cartões mais facilmente do que uma equipa como a minha, que tenta o tudo por tudo para ficar na 1ª Divisão.
Nós ficamos a perder por não se disputarem os “ditos” campeonatos de reservas. Mas isso aconteceu a nível nacional.

2) Concordo em absoluto e subscrevo por baixo! Nós somos suspeitos, pois gostamos de hóquei e defendemos a nossa “dama”. Mas acho piada a isso, pois há árbitros que mostram cartões por tudo e por nada, e outros que têm uma acção pedagógica – e é essa acção pedagógica que tem de haver. Isto é hóquei em patins, é uma riqueza enorme. E não podemos entregar o hóquei a pessoas que não percebem nada disto. Este mundo do hóquei é muito pequeno, e por isso podemos reunir-nos todos facilmente e discutir esse tipo de questões. As regras são iguais, mas os critérios não são uniformes.
As pessoas que estão a assistir ao espectáculo não conseguem entender bem o que está certo ou o que está errado. Para bem do hóquei não se podem parar os jogos só para mostrar um cartão a um jogador, por ter a camisola fora do calção!

Franklim Pais (FC Porto)

1) Não concordo com essa medida e fui das pessoas que sempre me insurgi contra a implementação da mesma. O mínimo razoável de cartões seriam 5. É bom lembrar que os planteis têm 10 atletas, que poderão neste caso, ser reforçado com atletas juniores, mas que forçosamente perdem qualidade de jogo. O objectivo das regras deveriam ser sempre com o intuito de cativar espectadores ao pavilhões. Será que isso acontece com a frequente ausência de atletas nos jogos?

2) Óbvio que sim! Actualmente não há critérios uniformes por parte das equipas de arbitragem, sendo neste momento imperativo criar uma linha de orientação para que todas as duplas possam arbitrar as partidas com os mesmos critérios, não havendo grandes diferenças, nomeadamente ao nível disciplinar. Acho também que o Hóquei peca por um pequeno pormenor que faz uma grande diferença, que é o facto das regras não serem "universais", já que existem diferenças de país para país, o que é uma enorme desvantagem para quem compete na Liga dos Campeões ou na Taça CERS.

Hélder Pinho (HA Cambra)

1) “Penso que é uma medida negativa para o hóquei em patins. O Hóquei nunca foi uma modalidade violenta, é uma modalidade viril, como todas as modalidades colectivas. Não se justifica a suspensão com três cartões azuis, até porque tira qualidade à competição, e tira também qualidade ao espectáculo em si.”

2) “Não, o critério não é uniforme. Penso que neste campeonato os protagonistas têm sido os dirigentes e os árbitros… não os jogadores, que deveriam ser eles os protagonistas!”

José Carlos (Paço de Arcos)

 

Miguel Cunha (Juv. Ouriense)

1) Sim, concordo com a introdução da regra dos cartões azuis. Talvez o “timming” não seja o melhor, pois acabaram com os campeonatos regionais, e isso acho errado. Acho que numa primeira fase, deveriam ter acabado com os campeonatos regionais – pois nem todos os clubes poderiam jogar com essa “arma” – e então, numa outra fase, aplicavam este novo critério dos cartões azuis.

2) Concordo. Tenho notado que este ano, na 1ª Divisão, os critérios da arbitragem são diferentes. Estou a fazer o curso de nível II, e tenho discutido bastante esse assunto com os prelectores. Hoje em dia, quando preparamos os “micro-ciclos” não se sabe o que nos espera. Por exemplo, nos bloqueios. Quando jogamos com um Porto, Benfica ou Barcelos, o critério dos árbitros é diferente de quando defrontamos equipas como a nossa, mais abaixo na tabela. Não haver um critério uniforme na aplicação das regras do hóquei é mau. 

 

Paulo Pereira (AD Valongo)

1) Não concordo. Acho que três cartões azuis é “muito curto”. No hóquei é muito fácil um jogador ver um cartão azul, e é muito complicado gerir um plantel curto – como a maior parte das equipas tem – com essa situação. Concordaria com a regra, se fosse aplicada com cinco cartões.
Nos campeonatos de “reservas” limpavam-se cartões. Acho bem que tenham acabado esses campeonatos, pois se um jogador era castigado no Campeonato Nacional, era no Nacional que deveria cumprir o castigo.

2) Sim, concordo. Mas isso é resultado das leis que temos. Porque uns árbitros aplicam as regras, outros árbitros não aplicam… Se calhar, os árbitros não têm formação suficiente, não fazem reciclagens… estão sempre a trocar de dupla! E mesmo as próprias regras do hóquei em patins de hoje em dia não beneficiam em nada o trabalho dos árbitros, pois é complicado ajuizarem certos lances. Mas eles não são os únicos culpados, antes pelo contrário: somos todos culpados!

Pedro Nunes (Candelária SC)

1) Acho execessivo, 3 cartões azuis. Penso que 5 era mais correcto. Ao fim do 5º cartão o jogador ficava impedido de jogar 1 jogo. Depois de cumprido esse jogo suspensão, ao mesmo jogador, ao 4º cartão azul esse jogador era novamente suspenso. Depois 3 azuis dava 1 jogo, depois 2 Azuis dava 1 jogo, 1 Azul dava 1 jogo.
Quando chegasse aqui, sempre que o jogador fosse sancionado com cartão azul, ficava impedido de actuar 1 jogo.
Esta medida disciplinar em vigor veio, de certa forma, retirar alguma verdade desportiva a este campeonato. Por exemplo, as equipas teóricamente menos apetrechadas optam por ‘limpar’ cartões frente a equipas tidas como mais fortes.
Este ano tal facto já se verificou por várias vezes.

2) Sem dúvida que esse é, talvez, o maior problema. Existem árbitros que recorrem com mais frequência à mostragem de cartões e outros nem tanto.
No entanto, defendo que o problema da falta de uniformidade de critérios, começa na formação dos próprios árbitros e até, porque não dizê-lo, na intrepretação, ou mesmo julgamento, que os delegados técnicos fazem desses mesmos critérios. Há árbitros que ‘arbitram’ em função do delegado técnico em presença e não de acordo com os seus próprios critérios e intrepretação dos factos.
A formação dos árbitros é excessivamente teórica e com pouca prática, feita de forma isolada dos restantes agentes da modalidade (Técnicos, jogadores e dirigentes) o que, manifestamente, eu discordo. Há muito que defendo isto e tenho-o manifestado a vários agentes da arbitragem.

Rui Neto (Juv. Viana)

1) Penso que a medida é benéfica, mas não nos moldes em que está implementada.
Na minha opinião não deveria ser uma série de três cartões mas sim de cinco.

2) Plenamente. O grande problema dos cartões azuis tem sido precisamente o critério das arbitragens, pois temos verificado que estes aplicam para a mesma lei, critérios de amostragem de cartões completamente diferentes. E o que se verifica é que existem equipas quase sem cartões!!!!!. Verifica-se ainda a que a mesma dupla de arbitragem em jogos diferentes aplica critérios e interpretações diferentes.
Por outro lado existe na minha opinião outro factor que condicionam também as arbitragens e neste caso sem responsabilidades para os árbitros. Esse factor prende-se com as próprias leis do jogo, por exemplo, um jogador se estiver com a camisola por fora dos calções sujeita-se a ver um cartão amarelo, e o agarrar de um adversário tem a mesma punição!!!!!!.
Mas este problema poderá apenas ser minimizado mas nunca será resolvido definitivamente.

Tó Neves (Oliveirense)

1) “Não, não posso concordar. Primeiro, porque acho que são poucos cartões. Depois, porque esta medida beneficia as equipas que têm melhor plantel, e vem desnivelar ainda mais o hóquei nacional. A terceira razão é que um jogador que leve muitos cartões (10, 15…) continua a ser sempre penalizado com um jogo de castigo. Isso não me parece correcto, pois um jogador que veja muitos cartões deve ser punido com mais do que um jogo. Concordo com o fim dos campeonatos regionais, pois assim termina a despenalização de cartões nesses jogos. Muitas equipas não beneficiavam desses campeonatos, e tudo o que seja para por as equipas em pé de igualdade é bom.”

2) “Concordo. O que está mais em voga é a arbitragem nacional. A dualidade de critérios é gritante! Há duplas que exageram nos cartões, há duplas que não exageram… e às vezes assistimos, Sábado sim, Sábado não, a mesma dupla com critérios diferentes. Tanto ao nível de cartões, como em outras situações diferentes. Há certos critérios que, na minha opinião, têm de ser revistos.”

Vítor Silva (OC Barcelos)

1) Sou totalmente contra pois penso que uma suspensão temporária (cartão azul) num jogo não deve ter efeitos em outros jogos.

2) Também. Mas pergunto a quem a lei, fizeram algum estudo para decidirem por esta regra? Será que tínhamos muita violência nos jogos? Será que vamos ter mais pessoas nos pavilhões por alguns jogadores não poderem jogar? Será que não estamos a beneficiar as
equipas com melhores planteis?

Porto Santo, S.A.D. *

*NOTA: A direcção do Porto Santo S.A.D. encontrava-se, durante o tempo em que decorreu este "inquérito", em blackout, e declinou gentilmente o nosso "desafio".

 

 
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