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Ganhar a todo o Custo

Ganhar a todo o Custo
Artigo de Opinião de Artur Pereira, em relação à excessiva utilização de atletas nas camadas jovens.

Sou Treinador de Hóquei em patins há cerca de 10 anos, treinar os infantis foi a minha 1ª experiência, posso dizer que adorei e por isso continuo a treinar equipas das camadas jovens do meu Clube (Grupo Desportivo de Sesimbra).

Este ano, e depois de ter treinado todos os escalões do Clube (Infantis, Iniciados, Juvenis, Juniores e seniores), resolvi treinar o único escalão que me faltava (Escolares/Benjamins), como todos sabemos este escalão tem um Regulamento Técnico-Pedagógico pelo qual todas as equipas se devem reger.

Por isso optamos no G.D. Sesimbra seguir o dito regulamento à risca, introduzindo também nas nossas equipas a obrigatoriedade de todos os atletas escolares jogares todos o mesmo tempo, independentemente de qual seja o resultado final.

Posso dizer que quando peguei na equipa no 1º jogo não sabia muito bem as regras, tendo sido chamado á atenção do delegado do jogo de que havia um jogador meu que ia fazer 3 partes seguidas e que não podia, por isso tirei o jogador para ficar dentro do que era legal. Por isso assim que cheguei a casa resolvi ir procurar o dito regulamento, coisa que foi até bem fácil de encontrar, e fiquei então a par das regras.

Hoje dia 16/10/11 desloquei-me com a minha equipa de escolares para mais um jogo fora, depois de 2 derrotas por números expressivos, havia como à sempre nos miúdos a esperança de vencer um joguinho. O jogo começou com muita alegria de todos e os golos iam surgindo de parte a parte, o resultado final foi de 14-7 a favor da outra equipa. Os miúdos saíram tristes de dentro de campo, é normal perderam, mas amanhã lá estarão todos outra vez com a mesma vontade de treinar, porque já nem se lembram do resultado do dia anterior.

Eu como treinador e amante da modalidade sai triste do jogo, não por ter perdido mas sim por ver pessoas a quererem ganhar a todo o custo desrespeitando os regulamentos impostos pela Federação e Associações. Vi miúdos da outra equipa a jogarem 1 ou 2 minutos, jogadores a jogarem 4 partes, alguns não começavam de inicio mas um minuto depois já entravam para o lugar de outros só para não constarem na ficha de jogo que tinham jogado 3 partes seguidas, etc. Quando me apercebi das situações chamei à atenção de um seccionista que se encontrava ao pé de mim, mas o senhor dizia que podiam fazer aquilo, porque tinha procurado tudo e não tinha encontrado o regulamento em lado nenhum (demorei 2 minutos a encontra-lo na internet, já agora é o artigo 55º do Regulamento geral do Hóquei Patins) ainda me disse que tinha mandado mails para toda a gente e que nunca ninguém lhe tinha dito onde se encontrava o tal regulamento dos escolares, ainda me falou em levar isto a tribunal, o isto não percebi se era o regulamento. Para mais ainda me disse que tinha começado como seccionista este ano (começou este ano e já é expert em regulamento e regras?), e isto tudo só pela ânsia de ganhar, posso dizer que o Sesimbra estava a ganhar 6-2 quando resolveram a desrespeitar os regulamentos. Só não tirei a minha equipa de campo porque o objectivo principal era jogar, não ia tirar aos meus atletas a hipótese de fazerem mais uns minutos de jogo só por causa de adultos que querem ganhar a todo o custo

Sei também que com a minha equipa nunca mais ninguém vai fazer o mesmo, porque vou estar muito atento.

Será que é o caminho certo ????

Será que o Sesimbra está fazer mal em por os miúdos todos a jogar o mesmo tempo????

Penso que não, é por isso que o G.D. Sesimbra nos últimos 10 anos tem dominado a nível distrital, conseguindo levar jogadores à seleção e conseguindo apurar maior parte das suas equipas para os Campeonatos nacionais, estamos contentes com o que fazemos pena outros não fazerem o mesmo, quem sabe se todos cumprissem as regras a nossa modalidade não teria mais e melhores praticantes.



Artur Pereira

Comentários

  • Filipe Carneiro [Não autenticado | IP: 188.80.xxx.xxx]: Não, não está de modo alguma a pensar de forma errada...até poderia levar 20-0 que para o desenvolvimento da modalidade o importante é que nessas idades todos joguem o mesmo tempo! e que todos tenham oportunidades de jogar! Infelizmente por todo esse país....acham que nessas idades o importante é ganhar! e como disse e bem...infelizmente para isso, existem miúdos que jogam 1 min ou 2 min...situação que é lamentável!! Alias até nos infantis a regra de rotatividade deveria de existir!! Com essa situação o que acontece é que os miúdos acabam por desistir...( no outro dia nos infantis, estava a ganhar 3-1 e atendendo que a nossa equipa não terá muitas oportunidades de vencer neste campeonato decidi não meter o GR suplente...contudo no final prometi-lhe que jogaria o próximo jogo! e assim o fiz independentemente de saber que poderia levar uma goleada...mas que importa?? perder por 1 ou 10 é igual nestas idades desde que o treinador ofereça as mesma oportunidades a todos!!) com a politica de jogarem sempre os mesmos para ganhar, mais tarde em vez de se ter 10 juvenis jeitosos...temos 1 ou dois juvenis bons e 8 juvenis fracos! sendo que a equipa que tem 10 juvenis jeitosos acaba sempre por levar a melhor da equipa que tem apenas 2 bons!! é uma questão do tempo dar razão e sermos pacientes...esse é um requisito obrigatório de um treinador de formação... Paciência!

  • Sergio Teixeira: Caso as regras sejam como as da APLisboa todas as substituições devem ser apontadas, por isso se houver substituições nos 2 1º's periodos fica comprovado que houve atletas que não jogaram o minimo de 8 minutos. Só poderá haver substituições nos 2 1º's periodos caso haja algum problema mecânico ou alguma lesão, o que deverá ficar registado no boletim.

  • Rinito Rita Cavaco: Artur, estás no caminho certo , eu e outros lutamos por este tipo de regulamento desde que a A.P.Setúbal foi fundada em 1986, já nessa altura tentámos impor estas regras , mas tivemos uma oposição tal que não foi possível, ainda hoje à técnicos que não concordam, mas penso que com a máquina do tempo vão ficar para trás e rápidamente ultrapassados. Tens toda a razão quando dizes que à pessoas de muitos clubes que ainda não perceberam o fundamento disto e a cegueira do ganhar imediato os faz fazer coisas pouco dignas , aliás exactamente como descreveste. O ganhar nestes escalões é aprender é formar é divertir , se no fim tiveres meninos e meninas que querem continuar a praticar o Hóquei em Patins , sabendo patinar , travar , andar para trás , cruzar pernas , manejar o stick , rematar e adoram fazê-lo, então essa é a vitória é a vitória dos que estão a trabalhar bem. Claro que também é importante ganhar jogos, para motivar as crianças, se treinarem bem , se tiverem tempos de treino adequados o ganhar jogos é possível , mas não o principal , à que saber perder e ensinar de forma pedagógica, tudo o que se relaciona com o desporto, o perder e o ganhar , as regras a disciplina , o trabalhar em grupo , o fazer parte de uma equipa , tudo isso é aprendizagem e nós treinadores também somos educadores e todos sabemos que o Hóquei para as crianças faz parte do seu crescimento enquanto ser humano , da sua formação e aprendizagem , tão importante como a educação académica. Por isso as pessoas que estão à frente destes escalões , devem ter todo o cuidado porque estão a mexer com o futuro de pessoas.
    No Fabril onde sou coordenador da Escolinha, temos uma equipa de treinadores , seccionistas e pais que estão a trabalhar o mais corretamente possível, dentro do espírito que todos teem de jogar, claro que por isso muitas vezes perdemos jogos, mas temos muitas vitórias , pequenas vitórias de cada um , quando faz golo e todos festejam , quando fazem um gesto técnico que se anda a treinar á muito e já o conseguem fazer, quando acabamos a época e não perdemos um único menino ou menina, porque por sua livre vontade querem e escolhem continuar. Para acabar , só para te dizer Artur que estas regras, ainda precisam de ser aperfeiçoadas, falta ainda que os jogos sejam encontros num só pavilhão com todas as equipas e de forma rotativa pelos diversos clubes e mais coisas do ponto de vista táctico que falaremos mais tarde. Devido a estas regras , não perdemos meninos e meninas e digo mais muitos deles que tiveram um início de mais atraso em relação aos outros , devido ao crescimento e de jogarem mesmo , por vezes dão saltos de crescimento de que ninguém esperava antes e ficamos todos admirados , por isso temos de dar opotunidades iguais a todos . Artur , estásw verdadeiramente no bom caminho , vais ver os resultados quando chegarem a Infantis .
    Cumprimentos
    Rinito

  • Vasco Reis: Caro Artur Pereira
    As regras são bem claras, e dizem que, caso a equipa esteja completa (10 atletas), têm que jogar 5 atletas no primeiro período de 8 minutos, e outros 5 atletas no 2º período de 8 minutos. Diz ainda que na 1ª parte do jogo não pode haver substituições, excepto nos casos que algum atleta se magoa, ou em caso de avaria do equipamento. Caso a equipa não tenha 10 atletas, nenhum atleta pode jogar 3 períodos (de 8 min) consecutivos.
    Infelizmente, na realidade, a experiência diz-me que o Artur tem razão. Alguns treinadores querem ganhar a todo o custo, e enganam não só os árbitros, mas também os miúdos e os pais, que investem nos filhos, investem na modalidade, que correm para os pavilhões depois do trabalho e aos fins de semana na expectativa de ver as habilidades dos seus petizes, e finalmente enganam ainda a verdade desportiva.
    Felizmente na APP, Associação a que pertenço, é pouco frequente ver-se este tipo de artimanhas na chama Pré-Competição. Já em Infantis e Iniciados, em que essas regras não existem, é frequente ver miúdos que simplesmente servem para fazer número, pois muitas vezes simplesmente não jogam. Penso que nesses casos os treinadores estão mais preocupados com a sua auto-promoção, do que propriamente com a evolução dos seus atletas. São na minha opinião, maus treinadores de formação.
    Para concluir, o Artur está a trabalhar para o desenvolvimento desses miúdos e consequentemente do HP, e como tal está no caminho certo.
    Um abraço
    Vasco Reis

  • nuno marsim [Não autenticado | IP: 79.168.xxx.xxx]: Ao fazem isto, «As pessoas enganam-se a si próprias».
    Nesse aspecto, cabe aos delegados das equipas, saberem os regulamentos e aplicarem no.
    A Ânsia de vencer vem tanto pessoas ligadas ás equipas como dos familiares dos jogadores. Ninguém tem duvida se o Hóquei existe a nivel de camadas de formação, se devem aos pais dos atletas. mas como formaçao de um atleta no aspecto desportivo e pessoal (nunca podemos esquecer que estamos a formar atletas que no amanha vão ser homens), deveria por um lado, o começo de saber patinar, de estar em pista, de respeitar e de se divertirem.
    E o que nós vemos nesses jogos, são pessoas a gritar com os miudos, a gritar com os treinadores e com os árbitros.
    Pode se mesmo, neste caso, dizer que essas pessoas já estão em formação e dar formação aos atletas em pista do comportamento que devem ter como atletas e cidadãos no futuro.
    O papel de formador (pai) é dar educação e incentivar sempre os seus filhos.
    É importante e vital para o seu futuro tanto como atletas como cidadãos, os atletas terem o carinho e apoio dos seus familiares, por isso ele devem acompanhar os filhos, mas em vez gritar «vai vai», ou «para frente» devem gritar o nome do seu clube ou fazer cânticos de incentivo. E deixar ser os técnicos a darem instruções aos jovens atletas.
    Muita coisa está mal no mundo do hóquei, mas todos devemos pensar que ás vezes também damos um pouco a nossa contribuição para ainda esteja pior.
    Cumprimentos
    Nuno Marsim

  • UDONATION [Não autenticado | IP: 93.108.xxx.xxx]: Após ler este comentário de Artur Pereira veio-me á memoria uma frase dita várias vezes por um ex atleta e treinador das camadas jovens da U.D.O.de seu nome EÇA.
    Nas camadas jovens existe Campeonite a mais e não se olham a meios para atingir fins.
    Depois o que é que aconteçe? Só aqules mais predestinados é que vingam na modalidade,porque os outros não jogam não evoluem por conseguinte estão condenados ao fracasso.Pobre do hoquei que tais treinadores e,(ou), secçionistas tens.

  • Nuno Martins - HCVG [Não autenticado | IP: 217.129.xxx.xxx]: Caro Artur,
    partilho os mesmos ideais e o mesmo pensamento, não me preocupando com o que os outros fazem e pensam, também já vivi tais situações e nunca me preocupei enquanto treinador de escolares com os resultados desportivos, penso que deve imperar o bom senso. Acima de tudo devemos ter como objectivo formar não só atletas, mas também homens, procurar incutir valores, princípios e respeito pelos colegas adversário, árbitros, etc..
    Penso que há muito a melhorar na nossa associação e modalidade, como já foi dito aqui as regras ou leis aplicadas nos escolares deviam também ser aplicadas nos infantis. Não são só os predestinados que têm direito a praticar a “nossa modalidade”.

    Saudações hoquistas

    Cumprimentos
    Nuno Martins – HCVG

  • Pedro Miguel Caldas: Este é um excelente tema para discussão até porque a meu ver é um pau de dois bicos.

    Em primeiro lugar reforçar a ideia do Artur, dizendo que este ano vi os juniores do Sesimbra na Fisica de Torres Vedras e gostei imenso, porque jogaram os oito jogadores de pista e todos mais ou menos ao mesmo nivel, sendo esta equipa um sucesso da formaçao que se faz em Sesimbra.

    Em segundo lugar gostaria de salientar e opinar algumas situações que aqui foram faladas:

    1) Penso que de Bambis a Escolares as regras estao apropriadas (pelo menos em Lisboa) e OBVIAMENTE todos os atletas devem jogar. Mas relativamente a todos jogarem o mesmo tempo, poem-se aqui outras questoes, como ter alguns atletas que nao vao a todos os treinos porque ja sabem que jogam no fim-de-semana, e consequentemente levarem um valente choque em escaloes superiores (seja em infantis, iniciados ou juvenis) quando começarem a ficar de lado nas opçoes do treinador, justamente porque nao se esforçaram para acompanhar os melhores quando eram mais novos. Ponho a questao, sera esta regra do tempo jogado igual para todos justa e com resultados futuros? Acho que sim e acho que nao sinceramente.

    2) A questao abordada pelo VASCO REIS, dos treinadores usarem as crianças para a sua propria visibilidade, infelizmente é verdade.

    No entanto penso que a partir dos Infantis ha que começar a fazer saber aos jogadores que perder é diferente de ganhar e vice-versa. Alias, muitos deles (principalmente os mais evoluidos) começam naturalmente a nao gostar de perder e se nao começarmos a jogar tambem pelos resultados tambem nao motivamos os melhores jogadores e estamos a fazer formaçao igual para todos, mas ''por baixo''. A competiçao é fundamental para o crescimento dos jogadores, ser JUSTO nao é ser IGUAL para todos, ha que premiar aquele que é melhor porque se esforça e dizer ao que nao joga ''se queres jogar esforça-te para tal'' para que eles deem valor ao ''JOGAR'' e para que percebam que so jogam se se esforçarem.

    Penso que é assim que se consegue formar ''por cima'', com competiçao e justiça.

    Mas obviamente separando as aguas, Bambis, Benjamins e Escolares é uma historia, Infantis, Iniciados e Juvenis é outra historia.

  • Antero Prado Do Nascimento: Caro Pedro Caldas,
    Concordo em absoluto com aquilo que diz. Efectivamente há que premiar os que se esforçam e abandonar a ideia de que toda a gente tem direito a ter acesso a tudo (pagar as menslidades não pode, por si só, dar acesso automatico a vestir a camisola do club e jogar).
    As escolas de Hóquei em Patins não podem virar um ATL...
    O problema das nossas camadas mais jovens é precisamente o excesso de autoestima, já para não falar da má criação...
    No que toca ao "vencer a todo o custo", Artur Pereira, nem me vou pronunciar... vê-se por aí verdadeiras atrocidades... enfim.
    Vamos lutando para que o Hóquei na se "estrague" mais do que já está.
    Abraço hoquista.
    Antero

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