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Quo Vadis Hóquei em Patins

Criticar, sugerindo II

Criticar, sugerindo II
Helder Silva escreve mais um artigo de opinião pessoal, sugerindo algumas outras medidas que poderão ajudar no desenvolvimento da modalidade, nomeadamente, nos escalões de formação.

Nada disto me incomoda,acredito que mais dia menos dia, chegará alguém que possa liderar a modalidade de forma transparente, competente e virada para o futuro. Nessa altura, saberemos que terá valido a pena.
Então aqui vai...

Formação no hóquei em patins

Fala-se e contam-se as equipas séniores, que desistiram da modalidade, das que renunciaram a subir de escalão na secretaria, depois de andarem toda uma época a lutar pela vitória, de equipas que renunciaram a estar presentes em comp.internacionais, etc, etc, mas será que alguém quis ou se preocupa em saber quantas equipas deixaram de ter escalões de formação ?

Por incrivel que possa parecer, se pensarmos bem, são estes escalões que não dão prejuizos, geram receitas e ainda vão alimentando os clubes a nivel de jogadores, senão vejamos:
1- Os clubes, ao beneficiar dos protocolos entre as Associações de Patinagem e as camaras Municipais, podem ficar isentos das taxas de inscrição dos atletas, sendo estas custeadas pela autarquia.
2- Nestes escalões, salvo pequenas exepções não representam custos em deslocações e alimentãção (não falo do que apresentam depois nas contas, falo da realidade).
3- Estes atletas, regra geral pagam uma mensalidade ( não falo das que nao são declaradas nas contas do clube, falo da realidade).
4- Estes atletas, familiares e amigos talvez sejam neste momento a grande maioria do publico que se desloca aos pavilhões, que assim deixará de o fazer.
5- Estes atletas são para as marcas de equipamentos o mercado, que cada vez mais deixará de interessar, principalmente na investigação e desenvolvimento de novas tecnologias e materiais, que a modalidade bem precisa, pois alguns materiais estão mais do que obsoletos, como os tacões nos patins, enquanto deveria ser o chassis a alterar o formato, as joelheiras, onde por mais voltas que dêm não funcionam como protecção, os sticks, desfazados das idades e tamanhos, as bolas com o mesmo peso para adultos e crianças, etc, etc. ( a titulo de exemplo, a foto que escolhi para ilustrar este artigo, onde vos peço para encontrarem semelhanças entre o "muito antes e o actual". São tantas que até dói.
6- São estes atletas que nas escolas poderão "recrutar" mais praticantes para a modalidade.
7- São estes atletas, os treinadores que deixarão de poder ser no futuro, trazendo novas e melhores formas de abordar o jogo e o treino.
8- São estes atletas, cujos pais e familiares ainda conseguem "encontrar" patrocinios, mesmo sabendo que não existe retorno (financeiro).
9- São estes jovens que "alimentam" o trabalho dos novos treinadores que se vão formando para tal e que deixarão de existir.
10- São mais jovens que viveram enganados, lutando por algo que à partida já tinha afinal os dias contados e as implicações que representam na sua formação enquanto homens.

Como possiveis soluções para este mal maior , julgo poder ser uteis, algumas de mal menor.

1- Juntar os escalões de formação 2 a 2 de forma a optimizar o tempo de pavilhão, luzes, etc.
2- Procurar novos e mais valores para a modalidade junto das instituições de ensino locais, organizando por exemplo, um sábado por mês (de manhã e a ser coordenado pelas Associações de Patinagem) onde estariam presentes os jogadores de cada clube do concelho ( Juniores e séniores) a ensinar crianças a patinar.
3- Os clubes que tivessem TODOS os escalões de formação, só pagariam metade das taxas de transferência ( a dividir entre a Federação, Associação e clube que perde o jogador)
4- Os clubes que não tivessem escalões de formação pagariam o dobro das taxas de transferência, a serem repartidas da mesma forma.
5- Elaborar um quadro competitivo interno de forma a nivelar as equipas também por divisões, de forma a acabar com as goleadas traumatizantes que assistimos todas as semanas e ao memso tempo nivelando a competição face aos objectivos propostos e possiveis de cada clube e escalão.
6- Para competições internacionais, fazer rigorosamente o mesmo, com pelo menos duas divisões, em que em cada mundial ou europeu as duas ultimas da Divisão 1, jogariam com a s duas 1ªs da divisão 2 para subidas e descidas.
7- Organizar encontros anuais para os escalões mais baixos, pelo menos com Espanha,Itália, França, Suiça, Alemanha e todos os países que estivessem interessados, em que seria à vez, organizado por cada país.
8- Cada atleta da formação deveria ser sócio "obrigatório" do clube, assim como o seu encarregado de educação.
9- Cada clube deveria fazer um protocolo com a autarquia de forma a serem organizadas "voltas" para ir buscar as crianças às escolas e ficarem no clube até o final do treino, altura em que os pais os poderiam ir buscar.
10- Cada clube deveria solicitar à autarquia ou outras instituições um lanche por atleta, uma vez que muitas crianças vÊm da escola e vão directamente treinar sem comer nada.
11- Cada clube deveria disponibilizar um espaço para que as crianças pudessem fazer os trabalhos de casa e estudar no tempo que esperam pela hora do treino ou pelos pais.

Sei que algumas destas medidas poderão ser um complicas de aplicar, mas o não e o perder cada vez mais atletas está garantido e é real, portanto...
Claro que por exemplo, dividir as competições por divisões e acabar com as "tareias" não irá agradar às pessoas que andam na modalidade a alimentar "egos" e outros tipos de problemas.

Espero que possa ter apresentado pelo menos uma só sugestão que possa ajudar a modalidade. Outras mais se seguirão.
Um abraço a todos
 

Comentários

  • Antero Prado Do Nascimento: Caro Helder Silva. Obrigado pelas suas palavras. Concordo com muitos dos seus pontos de vista. Um em particular é que nem por isso... Os clubes com formação recebem dinheiro das autarquias por conta dos miudos, os pais compram os equipamentos completos, deslocam-se a treinos, a jogos, e como se tudo isto não chegasse ainda pagam uma mensalidade pelo facto de os seus filhos suarem a camisola, o emblema do club e regressarem a casa sempre com mais uma nódoa na coxa ou na testa. É no minimo caricato... E depois, nos escalões de séniores já não se encontra um unico jogador disponivel para suar a mesma camisola sem lhe pagarem um bom dinheirinho para tal.
    O hoquei em patins atravessa uma fase dificil à semelhança da sociedade em que está inserido.`É de facto um desporto para uma certa "elite" de crianças, que aprenderam os valores de preserverança, esforço, esquecer a autoestima e cair muitas vezes no ringue, falhar sticadas, remates, fazer figuras "tristes". Mais fácil é dar dois xutos numa bola de couro cheia de vento (instinto primitivo / animal)isso todos os miudos sabem fazer... e por ser fácil todos vão e querem ir, e os pais empurram, obrigam... O futebol esse sim... nunca terá os dias contados enquanto a n/ sociedade for a sociedade do fácil... Mas enfim, já não estou em idade de fazer mudar o mundo... continuem a obrigar os miudos todos a jogar o futebol e deixem o hóquei para os "especias"
    Abraço.

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