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Tese de Mestrado do Prof. João Simões

Comprimento do setique e constrangimentos intrísecos em crianças

Comprimento do setique e constrangimentos intrísecos em crianças
O prof. João Simões realizou um estudo, no âmbito da sua tese de mestrado, onde foi verificado se existe relação entre as características antropom...

O prof. João Simões (H.C.Turquel) realizou um estudo, no âmbito da sua tese de mestrado, onde foi verificado se existe relação entre as características antropométricas da criança e um comprimento funcionalmente mais ajustado do setique de Hóquei em Patins.

O estudo encontrou várias relações entre as medidas antropométricas e o comprimento de setique mais adequado.

Os resultados do mesmo, em linhas gerais, vêm consolidar a utilização de setiques com comprimentos menores junto das crianças, apontando como o setique de 105cm como o comprimento ideal para a iniciação de crianças até sensivelmente 1m50cm de altura com patins calçados.

A tabela seguinte reflete o comprimento de setique com melhores resultados em função da altura total com patins.

Tabela. Apresentação dos valores totais por setique e intervalos de altura de patins com respetivos valores totais, conjunto da amostra.
 
N
Altura Patins (cm)
115cm
110cm
105cm
100cm
95cm
90cm
Total Altura
5
<130
9,2
10
12,4
13
12,2
12,6
69,4
5
130-135
10,8
12
14,2
13,2
12,8
12
75
8
135-140
11,1
12,8
13,3
13,2
11,7
13,1
75,2
6
140-145
11,2
12,3
13,8
13,5
13,1
12
75,9
10
145-150
12,3
13,4
14,6
14,6
12,6
11,8
79,3
9
150-155
13,2
14,2
14
13,8
13
11,2
79,4
8
155-160
13,8
14,3
13,8
13
12,6
11,5
79
8
160-165
13
14,2
12,75
13
12,5
12
77,45
3
165 <
12,3
12
11,6
11
11,3
9,3
67,5
N=62
Total por setique
106,9
115,2
120,45
118,3
111,8
105,5
 

Recomendamos que as marcas que produzem setiques introduzam desde já, pelo menos, o comprimento de 105cm para que as crianças possam iniciar o manejo do setique sem constrangimentos desnecessários. A execução técnica deve reflectir as componentes críticas adequada inclinação do tronco (passe/condução), adequado afastamento entre mãos (passe/condução) e adequado afastamento da bola em relação ao atleta (condução).
Julgamos que o treinador deve ter o papel principal de verificar qual o momento óptimo para se fazer a transição para um setique de comprimento maior tendo como referência a observação qualitativa da execução técnica dos seus atleta.

Para uma criança de 1,20m de altura, o manejo de um setique de 115cm (Figura 23 à esquerda) é bastante diferente do manejo de um setique de 95 cm (Figura 23 à direita), e estas alterações promovem necessariamente reajustes corporais ao nível das componentes críticas contempladas neste estudo mas também ao nível do cotovelo da mão da pega.

Se o setique for muito grande em relação à criança, esta vê-se forçada a elevar o cotovelo, o que reduz em muito a amplitude de movimento que um setique mais adaptado lhe permite. 



Para fazer download do estudo completo clique aqui
 
Fonte: Tese de Mestrado do Prof. João Simões - Treinador do H.C. Turquel via TreinadoresHP

Comentários

  • Antero Prado Do Nascimento: É bom ver que há quem se preocupe com as questões técnicas da n/ formação. Finalmente vejo (publicado) alguém partilhar da ninha opinião! Com certeza está a contribuir para que os n/ Bambies e Escolares deixem de andar com um pau na mão que nais parce um remo ou um espanador.
    Bem haja Prof. João Simões!!
    Abraço hoquista

    Antero Nascimento

  • sepol: os parabéns pelo trabalho apresentado, tenho pena que nenhum dos responsáveis pela parte técnica da FPP não aproveitem este estudo para proporem alterações validas para a modalidade. Devem aprender com quem quer ensinar.
    Aproveito para sugerir ao prof. João Simões, um outro estudo sobre o tamanho das botas que os atletas usam, muitos parecem autênticas barbatanas, que dificulta uma patinagem perfeita.
    António Lopes

  • Helder Silva: Um grande trabalho. Quando se fala que não aprecem propostas, sugestões, aqui está a prova de que afinal, não será bem esse o problema.
    Muitos parabéns


    Gostaria também de saber qual a sua opinião sobre as bolas utilizadas para adultos e escalões de formação. Sei que no passado e acredito que em alguns locias ainda se utilizem bolas de chumbo para os atletas, que a partir de juniores aceito, mas mais para baixo, de forma alguma defendo como algo de bom para o atleta, antes pelo contrário.
    Recentemente estudei uma modalidade (Floorbal), cujas bolas são bem mais leves e pelos registos e experiências que tive oportunidade de ver nos países do Norte da Europa, usam esses sticks e as bolas para treinarem o stick-handling, nomeadamente a sensibilidade, trabalhando a motricidade fina.
    Como tal, para atletas a partir de Juniores, inclusive, creio que seria importante trabalhar com as bolas de chumbo e com as mais leves , alternando com as actuais.
    Sobre as dimensões, também defendo que se deveria trabalhar o stick-handling com bolas de golfe e de ténis, também alternando com as actuais.
    Um abraço

  • Carlos Fernandes: Parabéns pelo Trabalho. No inicio da época passada mandei cortar os setiques dos meus atletas da equipa de benjamins, ao que me chamaram de (doido) pois eram novinhos e a estrear, fiquei contente ao ler este trabalho pois assim já não sou o único (doido)

  • Nuno Marsim [Não autenticado | IP: 79.168.xxx.xxx]: desde de sempre que está estabelecido o comprimento, peso e largura do stick. Sempre fez me confusão porque os tecnicos obrigavam as crianças a andarem com verdadeiras bandeiras gigantes. Um bem haja ao Professor Simões tanto pelo seu trabalho como pela divulgação do seu trabalho. Já começa a ser tempo dos tecnicos começarem a expor as suas ideias e metodos de trabalho. A evolução do Hoquei em patins passa sobretudo pelo dialogo, divulgação e confrontação de de ideias.
    Os pontos seguintes são do regulamento tecnico que regula como pode ser um stick, por isso não é preciso fazer nenhuma alteração a regulamentos eles sempre foram estes, o que é preciso é FAZER ALTERAÇÔES AO PENSAR DAS PESSOAS DE FORMA EM CADA UM ASSUMIR AS SUAS CULPAS E NÃO COLOCAR AS CULPAS SEMPRE NOS OUTROS.
    6.2 A parte inferior do "stick" terá de ser plana e o seu comprimento, medido no lado exterior da sua curvatura terá de obedecer aos seguintes limites:
    6.2.1 Comprimento máximo do "stick" ..................... 115 (cento e quinze) centímetros
    6.2.2 Comprimento mínimo do "stick" ..................... 90 (noventa) centímetros
    6.3 Todos os “stick” devem poder passar por um anel de 5 (cinco) centímetros de diâmetro e o seu peso não pode exceder 500 (quinhentos) gramas.
    Louve se o trabalho do Professor que sobre ler os regulamentos e com eles fazer o seu trabalho

  • João Simões [Não autenticado | IP: 82.155.xxx.xxx]: Gostaria de agradecer as vossas palavras. Julgo que a nossa modalidade ainda tem um longo caminho a percorrer no sentido de a adaptar às características das crianças que nela se iniciam. Com um contributo de todos e com uma maior cientificidade poderemos efetivamente desenvolver a nossa modalidade.
    Acho fundamental que não tenhamos medo de divulgar o pouco que fazemos pois hoje, com as novas tecnologias, todos poderemos aprender muito sem sair de casa...
    Um bem haja a todos e mais uma vez obrigado pelas palavras de apreço.

    João Simões - H.C.Turquel

  • Rui Nuno Castro: Já era tempo de existir um estudo que "homologasse" algo, que anos de experiência na formação de jovens nos dizia sem "falar" deste modo. Creio que falta apenas uma referência ao ajuste também necessário na largura da parte superior da pega do stick.

    Parabéns pelo trabalho ao Professor João Simões.

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