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Atenção e Concentração - Psicologia do Desporto

Atenção e Concentração - Psicologia do Desporto
Parte de um trabalho realizado por Hélder Antunes na disciplina de Investigação em Psicologia da Actividade Física e do Desporto no âmbito do Mestrado em Investigação em Actividade Física, Desporto e Saúde, 2011. Apoio: Livro “Psicología de la Activida

BREVE INTRODUÇÃO
 
Na vida quotidiana é muito fácil encontrar situações em que é necessário utilizar a atenção e a concentração. Umas pessoas têm melhor índices que outras neste âmbito derivado às solicitações que têm ao longo das suas vidas e consequentemente desenvolvem-nas melhor.
 
No âmbito da Actividade Física e do Desporto, ter conhecimento e domínio dos processos de atenção e de concentração é fundamental. A perda ou insuficiência dos níveis de atenção e de concentração de um atleta pode significar em determinados momentos o fracasso do atleta e da sua equipa (no caso de um desporto colectivo). Isso pode originar na alta competição em momentos decisivos, perder um título, uma taça ou um campeonato.
 
Por este motivo, a atenção e a concentração devem ser um dos objectivos a ter em conta em qualquer programa psicológico, para aperfeiçoar os atletas e os próprios treinadores. Estas duas variáveis podem ser as mais influentes para se atingir o tão desejado êxito.
 
 
CONCEITO E PERSPECTIVAS DA ATENÇÃO E DA CONCENTRAÇÃO
 
Apesar de muitos utilizarem a atenção e a concentração como sinónimos convém de ambos sejam definidos de forma clara:
 
- Atenção: forma de interacção com o meio ambiente, em que o sujeito estabelece contacto com os estímulos relevantes da situação no presente momento.
 
- Concentração: manutenção das condições atencionais por um determinado tempo mais ou menos duradouro, de acordo com o que a situação que estamos a enfrentar assim o exige.
 
 
 Para a explicação da atenção e da concentração devemos ter em linha de conta as seguintes perspectivas:
 
a) Perspectiva Cognitiva: é a mais utilizada e defende a ideia que o atleta recebe estímulos do meio ambiente, que os processa e que explicam a forma como o atleta responde a essas situações. Ao nível desta perspectiva os 3 aspectos que mais foram estudados foram:
- Selectividade atencional: o atleta selecciona apenas a informação relevante para si e que traz benefícios, rejeitando toda a restante informação;
- Capacidade atencional: esta capacidade complementa a anterior, uma vez que é difícil um atleta estar concentrado em duas coisas ao mesmo tempo. O atleta converte de forma automática certas destrezas;
- Activação ou alerta atencional: este terceiro elemento desempenha um papel relevante na perspectiva do processamento da informação que faz referência à relação entre o nível de activação, nível de alerta do atleta e a sua atenção.
 
b) Perspectiva Social: desta perspectiva estudou-se o efeito que têm os estímulos distractores e as diferenças individuais na atenção do atleta (esforço, sofrimento, ansiedade…)
 
c) Perspectiva Psicofisiológica: define a existência de variações nos registos psicofisiológicos que permitem estabelecer o grau atencional dos atletas antes e durante a competição.
 
 
MELHORIA DA ATENÇÃO E DA CONCENTRAÇÃO NOS ATLETAS
 
A melhoria da atenção e da concentração centram-se a dois níveis: treino e competição.
 
Ao nível do treino: é conveniente que nos treinos sejam introduzidas actividades que permitam que os atletas melhorem a sua atenção e concentração. No entanto, estas actividades ou programas de treino não devem alterar as restantes rotinas de treino. Aqui torna-se fundamental o treinador possuir um amplo conhecimento, bem como alguns procedimentos como visualização/ensaio mental e outros mais, uma vez que é uma “peça-chave” em todo o processo.
 
 
Ao nível da competição: para que os atletas adquiram mais sucesso e melhores resultados neste âmbito é importante a utilização de técnicas úteis tais como: estabelecer objectivos (individuais e colectivos); estabelecer rotinas pré-competitivas e competitivas: controlar o nível de activação, usar palavras-chave; controle visual e concentração no mesmo.
 
  Demonstração/Exemplo do Modelo
 
 
Exemplo Prático
Desporto/Modalidade
Hóquei em Patins
 
Equipa/Amostra
Equipa Sénior Masculina de Hóquei em Patins XPTO (Equipa Principal)
 
Objectivos
- Melhorar os níveis de atenção e concentração dos jogadores na marcação de grandes penalidades na equipa de Hóquei em Patins XPTO;
- Focar a atenção dos jogadores apenas para o ED (Estímulo Dominante) durante a marcação das grandes penalidades;
- Desviar e minimizar os EF (Estilo Flutuante) que possam surgir durante a marcação de uma grande penalidade.
 
Tipo de Exercício a Realizar
Utilizando o princípio de definição de objectivos SMART criou-se um exercício específico de hóquei em patins para os jogadores executarem grandes penalidades:
 
S = (Specific) Específicos (concretos, claros e precisos);
M = Mensuráveis (associados a formas de medição);
A = Ambiciosos (difíceis de atingir, criando desafios, inovação e melhoria);
R = Realistas (possíveis de atingir);
T = Temporizados (Associados a períodos de tempos, prazos).
 
Assim, cada jogador terá de converter 3 grandes penalidades de forma consecutiva, de modo a concretizar a mesma em golo.
 
Observações do Exercício
Para não criar desigualdades nem cansaço ao guarda-redes, substituímos o mesmo por umas tábuas próprias com se vê na imagem que se segue:
 
 
Para a obtenção de golo, os jogadores terão de fazer entrar a bola num dos cantos superiores ou inferiores da baliza. Só serão contabilizadas as bolas que entram totalmente dentro da baliza (Golo). As bolas que baterem na tábua, nos postes ou forem direccionadas para fora da baliza são contabilizadas como Não Golo.
 
Descrição dos Grupos
Dividiu-se o plantel em 2 grupos. O grupo controle (GC) e o grupo experimental (GE). Como o plantel é constituído por 8 jogadores de campo, sendo 4 deles defesas/médios e 4 deles avançados, cada grupo ficou com 4 jogadores, sendo eles 2 defesas/médios e 2 avançados por grupo.
 
O GE é o grupo experimental e este grupo cumprirá um programa de treino mental. Os jogadores que compõem o GE são designados de jogadores 5, 6, 7, e 8. O GC é o grupo controle e este grupo não cumprirá qualquer programa de treino mental. Os jogadores que compõem o GE são designados de jogadores 1, 2, 3, e 4.
 
Optou-se por implementar o programa de treino mental, porque de acordo com a base estatística do clube os atletas desta equipa têm revelado dificuldades na obtenção de êxito ao executar grandes penalidades ao longo de um jogo.
 
Modo de Execução das Grandes Penalidades de Hóquei em Patins
Os jogadores em cada tentativa executam apenas um remate batido e directo à baliza;
  1. Os primeiros a executar as grandes penalidades serão os jogadores do GC e seguidamente dos jogadores do GE.
 
Programa de Treino Mental a implementar no grupo experimental (GA)
  1. Breve sessão de activação antes da execução das grandes penalidades sob orientação de um profissional;
  2. Prémio por cada golo que um jogador marque através da execução de uma grande penalidade;
  3. Obrigar o jogador a focar a sua atenção e concentração exclusivamente num dos cantos superiores ou inferiores da baliza depois de estar pronto para executar o remate para que remate precisamente para esse local da baliza.
Avaliação da Atenção e da Concentração
Procede-se a uma Análise de Observação das Condutas dos Jogadores. Assim pode-se verificar se durante a execução da marcação das grandes penalidades os jogadores manifestam alguns desvios na sua atenção e concentração, uma vez que devem cumprir na íntegra o programa de treino mental, especificamente o GE.
 
Pode-se ainda comparar se os possíveis desvios estão relacionados com a obtenção de Golo ou Não Golo.
 
Exemplo dos Valores Quantitativos a Registar
 
GDM (grupo controle)
 
Tentativa 1
Tentativa 2
Tentativa 3
Jogador 1
1
0
0
Jogador 2
0
1
0
Jogador 3
0
0
1
Jogador 4
1
0
0
 
 
GA (grupo experimental)
 
Tentativa 1
Tentativa 2
Tentativa 3
Jogador 5
1
1
1
Jogador 6
1
1
1
Jogador 7
1
1
0
Jogador 8
0
1
0
 
Legenda: 1 = Golo e 0 = Não Golo
 
 
Exemplo dos Valores Médios Registados no GC
 
N = 12
Total de Golos Marcados = 4
Total de Golos Não Marcados = 8
Média de Eficácia = 33,3%
Média de Ineficácia = 66,7%
Desvio Padrão = 0,492366
 
Exemplo dos Valores Médios Registados no GE
 
N = 12
Total de Golos Marcados = 9
Total de Golos Não Marcados = 3
Média de Eficácia = 75%
Média de Ineficácia = 25%
Desvio Padrão = 0,452267


Para ler mais artigos, visite o blogue de Pedro Antunes em 
http://treinadoreshp.blogspot.com

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