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Artigo de Opinião: Hugo Miguel Sousa

O bom e o mau das novas regras…

O bom e o mau das novas regras…
…e no que se transformou o nosso hóquei!

(texto editado, da autoria de Hugo Miguel Sousa)

Tenho actualmente 32 anos e fui jogador desde os 7 anos até aos 28, sendo treinador desde 2004.
Sou treinador de nível II.
Sou neste momento treinador dos escalões de Juniores e Seniores do Juventude Azeitonense.

Depois do que assisti nos dois últimos anos e principalmente no último fim-de-semana, gostava de dar a minha opinião sobre tudo o que tenho vivido dentro do rinque.

Em relação ás novas regras:

Vou começar por realçar o que para mim contribuiu para bem da modalidade:

Tenho a certeza que o hóquei ficou com menos violência, privilegia as tácticas, estratégias e a técnica individual e com isto ficou mais espectacular;

A regra do anti-jogo foi muito boa, permite um espaço muito maior para que se possa jogar;

As bolas paradas com a proibição do guarda-redes só se poder mexer depois de o adversário tocar na bola, onde possibilitam muitos mais golos e muito maior gestão das faltas da outra equipa;

Com tudo isto e pouco mais até acho que o hóquei se tornou mais espectacular, emotivo, obriga os treinadores a trabalharem muito mais as equipas com várias tácticas, estratégias, etc…



Vou no entanto deixar algumas perguntas para que me dêem a vossa opinião:

Até ao ano passado, quantas regras foram alteradas em 20 anos para trás?

Estas regras são apropriadas para se ter um único árbitro num jogo (Terceira Divisão Nacional e escalões Jovens)?

Onde andam os observadores dos árbitros?

Uma pessoa que assiste regularmente a jogos de hóquei sem formação de árbitro consegue arbitrar um jogo com as novas regras (quando não há arbitro)?

Alguém me consegue explicar a regra dos 45 segundos para atacar e como o árbitro controla esse tempo?

Os árbitros sabem todos como agir em conformidade perante várias situações de jogo?

O hóquei é um desporto de velocidade, acham bem marcar faltas de setique contra setique?

A situação de amostragem de cartão azul e livre directo e power-play não serão penalizações a mais?

Não acham que cada árbitro tem a sua interpretação e hoje em dia não é difícil decidir um jogo e ter a desculpa de dizer no fim do jogo que são as novas regras?

Se as faltas de equipa penalizam, porque alguns árbitros ainda dão a lei da vantagem?

Quem me explica o que é jogo passivo para um arbitro?

Acreditam que os árbitros sabem todos interpretar as novas regras?
É impressão minha ou as novas regras podem ter interpretações diferentes?



Para concluir sublinho: este desporto sempre fez parte da minha vida, ensinou-me muitas coisas, tive experiências únicas, colegas únicos e jogos únicos.

Hoje e com tudo o que rodeia este desporto pergunto-me: vale a pena continuar num desporto onde a verdade desportiva pode ser facilmente alterada por um homem que faz o que quer e lhe apetece e sai impune?
Parece-me a mim que algo tem de mudar e que as regras têm de ser mais explícitas e não envolvam tanto a interpretação de uma pessoa que possivelmente nunca jogou hóquei na vida e, por exemplo, não sabe distinguir se uma equipa quando ataca um quadrado fechado se está a tentar entrar dentro desse quadrado ou se está a fazer jogo passivo.

Esperançado que o Hóquei em Patins evolua e se torne mais justo e vistoso, despeço-me com umas valentes seticadas,

Hugo Miguel Sousa

Comentários

  • jstik: Sou um amante da modalidade há muitos anos, antigo atleta, dirigente, orientador de camadas jovens que me proporcionava um prazer sem limites. No entanto continuo a ser um fervoroso espectador e amante da modalidade. Concordo em absoluto com o que é dito neste texto relativamente ao poder que as novas regras atribuem a uma pessoa, que provavelmente nem sabe patinar, intervém num jogo tão belo com um apito na boca, a seu belo prazer, sem ter de prestar contas a ninguém. Amigo: percebo a tua indignação, mas escrevo estas simples palavras para que não te sintas só. Por favor não desistas. A modalidade precisa de pessoas como tu. E se todos nos manifestarmos, talvez possamos modificar alguma coisa. Daqui o meu desabafo: P'RÁ FRENTE COM O HÓQUEI.....

  • Antero Prado Do Nascimento: Bom dia Hugo! Achei interessante o seu apontamento. Quando começou a patinar foi mais ou menos na altura que eu deixei de jogar hoquei... inicio dos anos 80... quando começou a aparecer aquela linha "esquesita de anti jogo"... e a palhaçada das alterações ao Hoquei em Patins não pararam desde então... ( no futebol, a que eu não ligo nem percebo nada, passam-se decadas em que naõ se altere uma unica regra). A começar pela linha "anti jogo"... que eu nunca entendi porque razão é que uma equipa ao jogar mais atrasada é penalizada por o fazer e não é penalizada a equipa que não tem capacidade para "lhes tirar a bola"... a passra pela triste figura dos jogadores usarem a tabela como "muleta"... terrificante para quem aprecia o belo hoquei bem patinado... a passar pelas "fueiradas" que se dão com o stick na bola que mais parece golf ou os pauliteiros de miranda do que hoquei, (já para não falar no brutal perigo que constitui tal tipo de remate)... a passar pelo "desafio dentro do desafio",, ou sja existe o marcador de golos e o marcador de faltas de equipa - já nunguém sabe a qual deles dar mais importancia. Lógicamente que a determinada altura do jogo começa a teatrada... toda a gente a atirar-se para o chão para marcar mais uns pontos naquele marcador ridiculo de faltas, que dá direito a uma corridinha isolado para a baliza (mesmo que o golpe de teatro tenha sido dado no ponto mais longinquo do ringue (desculpe agora parece que lhe chamam "pista") não sei porque não começam a chamar ao stick um aléu? Tudo isto porque as regras do Hoquei internacional são escritas em francês e decididas algures entre a Suiça e a França (digo eu) que de facto são países que respiram hoquei em patins... Caro amigo, obrigado pela sua opinião. Muito, mas muito mais haveria a dizer, mas... meu rico hoquei... tentaram fazer de um "jogo de sueca" um partida pertenciosa de poker... Abraço hoquista Antero Nascimento

  • Antero Prado Do Nascimento: Cá está... O FAC é impedido de ser Campeão Nacional a 9 segundos do fim do jogo por uma falta normalíssima atrás da sua baliza (que lhe chamanm de falta de equipa...) e que dá direito à tal "corridinha isolado para a baliza" que premeia os jogadores que, hoje em dia, para além de saberem andar de patins, também têm de ter o curso de artes teatrais ou circenses... Por favor, vamos acabar com esta prática "amaricada" das "faltinhas de equipa" e sua contagem!!! E, se não tivermos coragem para o fazer, pelo menos que haja a dignidade de o marcador não estar à vista nem dos àrbitros nem dos jogadores. Hoquistas, vamos conquistar golos e não aceitar estes bonus oferecidos em "bandeja de prata" que tanto irritam para não dizer enojam o verdadeiro espirito hoquista!!! Ainda hei-de criar um "Movimento Anti-Faltas de Equipa", e gritar até que a voz me doa e escrever até que os meus dedos tremam...!!!!

  • Helder Silva: Só agora li este comentário e a leitura que faço é a seguinte. Afinal existe mesmo muita gente com qualidade para dar a volta a isto. De principio a fim, uma leitura mais do que verdadeira e infelizmente sem fim à vista.
    Acrescentaria a questão da contagem dos 10 segundos com o braço. Simplesmente surreal, porque consoante o árbitro e o momento do jogo aquele braço move-se a diferentes velocidades. Então os apitos servem para uma coisa e não servem para outra. Alguém me pode explicar qual a diferença entre o soar o apito e a primeira vez que o árbitro move o braço ?
    Parabéns pelos comentários e pff não desista, como os seguintes comentários, também eles muito bons lhe pedem.
    Abraço a todos

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