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Artigo de Opinião

Umas palavras a Hugo Gaidão…

Umas palavras a Hugo Gaidão…
Texto da autoria de: Francisco Velasco

Temos hoje a honra de publicar um artigo de opinião do antigo avançado internacional português, nascido em Goa e criado em Moçambique… viveu em Itália, Angola, África do Sul e agora reside em Portugal.

Um verdadeiro “homem do mundo” (do hóquei), que dá pelo nome de Francisco Velasco.

Interessa referir que o conceituado autor deste texto informou que nada tem contra a FPP actual, pretendendo com este artigo de opinião apenas alertar para certos “processos”, onde diz ter notado “que a história estava a repetir-se”.
Francisco Velasco faz um paralelismo entre a mudança de regras do inicio desta temporada, e a mudança das regras que sucederam em 1984.

Velasco foi “inspirado” por um outro artigo de opinião, do treinador do Dramático de Cascais, Hugo Gaidão, que o “Mundo do Hóquei” publicou no início da actual temporada desportiva.

Li com atenção o artigo do treinador Hugo Gaidão.
Como durante toda a minha vida acompanhei muito de perto a evolução da nossa modalidade e as questões relacionadas com ela, desde técnicas, tácticas, arbitragens e especialmente as célebres alterações às regras de jogo, autênticos parafusos metidos à martelada, sentindo-me movido pelo lamento do Gaidão e se pudesse influenciá-lo, sugerir-lhe ia um protesto na rua, em frente da FPP, com cartazes coloridos e letras gordas, a instar os nossos dirigentes a irem para a rua. RUA! RUA! RUA!

Mas, claro, isso é humor e de qualquer maneira não iria resultar, porque os ouvidos dessa gente estão calejados e só se ouvem a si próprios (basta ver as marchas dos trabalhadores e das classes profissionais que não levam a parte alguma). Presunçosos e ignorantes, a maior parte dos que conheci e acompanhei, aventam ideias algumas delas bizarras, sem um mínimo de suporte de qualquer ordem, seja técnico, estatístico ou científico.

Resolvem nos bastidores todas estas inovações, em manobras e acordos obscuros, sem consultar (ou fingem que consultam) os principais protagonistas do Hóquei em Patins, tal como Hugo Gaidão comentou: - Os Treinadores, os Jogadores e os Árbitros.Os outros parceiros sociais, aqueles Dirigentes que tem "agendas pessoais", esses não são precisos, que fiquem pela burocracia da FPP, e não se metam em coisas que desconhecem.

O problema é que com estas alterações, como revelou Gaidão, não vão conseguir nada de substancial. Há décadas que andam nisto, regularmente, todos os quadriénios inventam alterações novas, pois como não percebem nada de hóquei, burocratas que são, rabiscam de caneta em punho, coisas que estão na periferia dos verdadeiros e cruciais problemas. Assim, a frase que corre "está aprovado" portanto... "está aprovado", não é mais do que aceitar a tábua toda rachada, como qual vocês, agora, Treinadores, Atletas e Árbitros tem de passar a viver.

Estou prestes a terminar o meu Site, documentalmente suportado, que publicarei brevemente na Web. O Hugo Gaidão e outros interessados vão aperceber-se, se o lerem, de como tudo isto foi no meu tempo e, inclusivamente, como continua a ser nos tempos actuais. De todos os meus contributos para o hóquei, este será o último, que não passa dum tronco a tentar escorar um edifício todo inclinado e prestes a ruir, isso em termos mundiais. Uma modalidade que encheu, abarrotando os pavilhões e que possui um património histórico valioso de Mundiais e Europeus conquistados, inigualável nos desportos colectivos portugueses, merece este esforço de minha parte, pois para mais, a idade já não permite.

Caro Hugo Gaidão, espero que não desanime, mas asseguro-lhe que a luta é longa, é uma guerra de "trinta anos", uma daquelas que estudámos no liceu, o que, se virmos bem as coisas, não é nada comparada à de "cem anos" que estão a congeminar para certa região deste planeta...

Uma saudação desportiva.

Francisco Velasco

Francisco Xavier Franco Bélico Velasco (nascido em Goa, Índia, 16 de Novembro de 1934). Como hoquista, representou o SNECI Lourenço Marques, Clube Ferroviário de Lourenço Marques e o Grupo Desportivo da Lusalite da Beira. Integrou a selecção nacional portuguesa, entre 1957 e 1964.
Venceu dois Campeonatos do Mundo: Porto 1958 e Madrid 1960, e foi finalista por uma vez (Barcelona 1964). Venceu um Campeonato da Europa (Genebra 1959). Conquistou também um Torneio Internacional de Montreux (1958).
Como treinador, orientou o Grupo Desportivo da Lusalite da Beira, o Clube Ferroviário de Lourenço Marques (ambos em Moçambique), o Hockey Club Monza (Itália), a Associação Desportiva de Oeiras e o Sporting Clube de Tomar.
Foi seleccionador de Angola e do Transvaal (África do Sul).
Foi membro-fundador da Associação Nacional de Treinadores de Hóquei em Patins (ANTHP).

(adaptado de: Enciclopédia do Desporto / JN)

Comentários

  • Ze Carlos: Ola estimado Xico: como eh reconfortante saber que continuas a emanar conhecimentos, conceitos,ideias e valores de que a modalidade tanto necessita, pois como dizes a luta continua tem sido longa e dura; eu tambem faco parte dessa mesma luta, como um dia me disseste, tal como um cavaleiro andante, de espada em punho (neste caso de stick em punho!),lutando para que a modalidade nao desapraeca em Mocambique e agora mais recente, que ela se desenvolva no Egipto; eh bom saber que estas quase a finalizar esse teu projecto e espero que continues por muitos e longos anos a colaborar,pois isso que dizes da idade, para quem te conhece e convive contigo, apercebe-se de toda a tua pujanca e espirito jovem e critico; recebe um abraco deste teu primo Ze Carlos

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