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O que vai ficar na memória...

Mundial de Vigo, de A a Z

Mundial de Vigo, de A a Z
Dois anos depois, voltamos a inspirar-nos no alfabeto para fazer um resumo do que foi mais importante ou inesquecível no 39º Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que foi jogado em Vigo, na semana passada.

ARGENTINA. A selecção da Argentina foi a grande finalista deste Campeonato do Mundo. Grandes porque chegaram à final, grandes porque até ao apito final, nunca desistiram de tentar conquistar um título que parecia – e acabou por ficar – entregue à Espanha.
As Individualidades voltaram a ser o ponto forte da selecção das pampas, mas o jogo colectivo dos “pequeños grandes chicos” (como lhe chamou Mariano Velasquez) é que vão ficar na memória.

BRASIL. Só um treino, nada de planeamento, só nove atletas, indefinições até à véspera do arranque da prova. E no fim, a alegria da “família Brasil”, comandada por Didi e Alan Karam.
O quarto lugar é um prémio mais que merecido pela coragem e esforço destes hoquistas, mas como sempre, ficamos com a sensação que o hóquei brasileiro só consegue estas classificações, porque o grupo une-se e luta até ao fim: antes e depois do Mundial, raramente podemos publicar boas notícias…
Será que algo vai mudar nos próximos dois anos? Esperamos que sim, mas a esperança é pouca...

COLÔMBIA. Acabámos por não assistir a nenhum jogo da Colômbia ao vivo. Mas esperamos que a manutenção no Mundial “A” não tenha sido fruto do acaso. Num país onde as corridas em patins são a modalidade da patinagem com mais poder e mediatismo, é de louvar o facto de esta selecção ter sido a única, das que foram promovidas ao Grupo A, a lograr a manutenção.

DIVULGAÇÃO. Quando se passava no centro de Vigo, não haviam cartazes a divulgar o Mundial. Quando se passava a fronteira, não havia nenhuma indicação para um evento importante. Mais uma vez, repetiu-se o erro do Mundial da Califórnia, e só os “vizinhos e amigos” é que foram ao IFEVI. Uma oportunidade desperdiçada, para fortalecer o hóquei em patins na Galiza.

ESCÂNDALOS. Se não houvessem casos caricatos ou escândalos, isto não seria um Mundial de Hóquei em Patins. Independentemente da nossa opinião ou do que dizem os regulamentos, os casos que envolveram Pablo Alvarez (passaporte caducado) ou os jogadores luso-angolanos (afinal a Taça Latina não é sénior?) demonstram bem o amadorismo e falta de seriedade que reina nesta modalidade, de alto a baixo!

FERRICHE, CARLOS. Pupilo de "Catxo Ordeig", observador atento e companheiro de sempre, Carlos Ferriche tem um olhar sonhador, e ao mesmo tempo confiante. Como (quase) todos os espanhóis, é um pouco arrogante na hora da vitória: mas mostra sempre um sorriso, próprio de quem festeja as vitórias, depois de ter trabalhado muito para as conseguir. Parabéns, Señor Feriche

GIL, PEDRO. Tem um feitio peculiar. É um dos melhores jogadores do mundo, e é também um jogador que desperta amores e ódios. Ninguém fica indiferente ao seu olhar ou ao seu aspecto… arrepiante. Goste-se ou não, já ganhou três Mundiais, “quase tantos como a selecção Argentina em todo o seu historial”, como referiu na última conferência de Imprensa, no IFEVI.
A partir de Setembro, vai voltar a patinar nos rinques portugueses…

HARRO STRUCKSBERG. Espero um dia mudar a minha opinião sobre o máximo dirigente do hóquei em patins mundial. Mas quando se vê na televisão um Sepp Blatter (Presidente da FIFA), vê-se alguém sorridente, confiante e orgulhoso do trabalho que se faz em prol do futebol… e sim, também do lucro.
O máximo dirigente do hóquei mundial não inspira muita confiança: não sorri, anda sempre com ar de desconfiado e, pior que isso, faz muita política e pensa pouco no desenvolvimento da modalidade à escala mundial. Espero um dia mudar a minha opinião, mas não creio que haja milagres…

IFEVI. Magnífico, imponente, bem localizado. Faltaram mais sítios para estacionamento e mais locais para comida. Mas não foi por falta de espaço e de acessos que este Mundial correu mal. É pena a pista só ficar ali, como um “palco de sonhos” durante o Campeonato do Mundo!

JUVENTUDE. Paralelamente ao Campeonato do Mundo, foram realizados “mundialitos” nos escalões de infantis, iniciados, juvenis e femininos. Por isso, durante todo o Campeonato do Mundo, houve sempre muitos e muitas jovens nas bancadas. Só foi pena parecer não ter havido divulgação fora do âmbito dos clubes de hóquei da região… escolas, faculdades, etc… também seriam bem-vindas a um evento destes!

LUÍS VIANA. Foi um dos jogadores mais influentes da selecção nacional. Experiente (33 anos feitos há pouco…), sagrou-se no segundo melhor marcador do Campeonato do Mundo, tendo dado muito trabalho a todas as defesas adversárias. “Il Zorro” fez um trabalho excelente e está, por isso, de parabéns!

MARTINAZZO, JOSÉ. O seleccionador argentino herdou a herança de Jorge “Fredy” Luz. O “descalabro” (?) de Montreux (3º lugar que soube a pouco), bem como o peso do seu nome, eram um desafio enorme, que aceitou com confiança. O segundo lugar de Vigo também deve saber a pouco, mas pelo menos desta vez, o grupo parecia unido e confiante.

NALO GARCÍA. Já jogou no Futebol Clube do Porto, passou os últimos dois anos no Liceo de Corunha e agora despediu-se da Galiza, rumo ao poderoso FC Barcelona. Reinaldo García já é considerado um dos melhores jogadores do mundo, tendo demonstrado neste Mundial, sobretudo a defender, muita confiança, garra e visão de jogo.
Boa sorte no novo desafio da carreira desportiva!

ORGULHO. Apesar das dificuldades financeiras e logísticas, senti-me orgulhoso de estar, durante três dias, a assistir ao vivo a um Campeonato do Mundo. Senti-me orgulhoso no meu trabalho e, apesar da falta de esperança na melhoria das condições em que escrevo estas palavras, faz bem ao ego ouvir todas as palavras de apoio. E todos os reparos, críticas, sugestões e… ameaças também são importantes!
Saí de Vigo cansado, mas de consciência tranquila, pois creio que ficou muito por fazer, mas dei o meu melhor em prol da divulgação da modalidade. Quem quiser, que faça melhor!

PUBLICO. Além das 16 comitivas, estavam em Vigo muitos jovens, de equipas de Portugal, Espanha, França, Itália, Argentina e Inglaterra. Estavam muitos angolanos a animar as bancadas, muitos jogadores e treinadores portugueses, espanhóis e franceses. Uma pequena claque de Lodi (Itália) e muitos adeptos que viajaram desde a Argentina.
A “onda” na final do Campeonato do Mundo é um sinal positivo, algo emocionante, que demonstra o amor que todos nós temos por esta tão bela, mas tão desorganizada, modalidade!

QUALIDADE. Pessoalmente, gosto do modelo de 16 selecções no Mundial “A”. Como é óbvio, este modelo alargado é propício a que hajam goleadas, mas se olharmos para as estatísticas, é óbvio que a competitividade das equipas de "segunda linha” está a aumentar. E isso é sinal de que a quantidade pode ser sinónimo de alguma qualidade.
Só é pena que, além destas 16 selecções, não haja mais do que uma dúzia de países onde se joga hóquei. E esse é que é o maior problema deste modelo competitivo, adoptado em 2001.

REINALDO VENTURA. Conhecido por “Rei”, “Bombardeiro”, “Gordo”… é impossível ficar indiferente a um dos motores da selecção nacional. Tem um mau feitio próprio de quem luta com unhas e dentes por cada posse de bola, cada passe, cada remate… e cada golo. Está habituado a ganhar e quer incutir esse “hábito” nos restantes colegas de selecção. Goste-se muito, pouco, ou nada deste Homem, é um dos jogadores mais importantes da selecção nacional.

SÉNICA, LUÍS. O Professor Sénica despediu-se da selecção nacional (e da Direcção Técnica Nacional) com a cabeça bem erguida. Ou quase, porque nunca escondeu que ia a Vigo para conquistar um título. O seu grupo de trabalho (jogadores, treinadores e staff) é unido e demonstra muito trabalho.
Como é óbvio, pode-se sempre questionar as opções enquanto seleccionador ou estratega, mas difícil é sair de um Mundial com a consciência tranquila quanto ao trabalho realizado. O passado já passou, o futuro é de quem tiver métodos de trabalho.

TRI. A Espanha conseguiu o primeiro “Tri” do seu historial em Campeonatos do Mundo. Este foi também o 14º título dos espanhóis. Falta um Mundial para “nuestros hermanos” igualarem o recorde português. Esperemos que o trabalho efectuado por Portugal, aliado à “nossa” técnica consiga impedir que isso aconteça, durante mais alguns anos! Mas por agora… são os espanhóis que festejam. E com mérito. Goste-se ou não…

URSOS. Só faltou o “despertar” final, para a hibernação chegar ao fim. Este grupo de trabalho conseguiu vencer (quase) tudo e (quase) todos, saindo de Vigo cabisbaixos por não ter conquistado o título, mas acredito que orgulhosos, porque deram tudo o que tinham por um objectivo. Os “Ursos” estão de parabéns! Obrigado por tudo!

VIGO. Localizada bem perto da fronteira luso-espanhola, esta cidade, com cerca de 300.000 habitantes, fez lembrar o Porto, pelas suas cores escuras, e pela água que envolve a cidade. É, também como a Cidade Invicta, uma cidade acolhedora e agradável de se visitar. Apesar de não ter dado tempo para se conhecer quase nada, ficou o desejo de um dia voltar!
Em termos de hóquei, é o segundo pólo de desenvolvimento da modalidade na Galiza. Espera-se que este Mundial tenha servido para alguma coisa, mas só o tempo dirá…

XEIQUES. O antigo internacional português, Paulo Alves, fez comentários para a “Al-Jazira”, televisão árabe que pode abrir muitas portas (e alguns petro-dolares?) para o hóquei em patins. Não sabemos como surgiu o interesse dos “xeiques” árabes na modalidade, mas esperemos que tenham gostado do que viram!

Z.

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