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Artigo de opinião
Quim Paüls fala sobre o Mundial de Montreux
Antes do início do mundial, pedimos a várias pessoas que nos enviassem a sua opinião sobre as respectivas selecções e sobre o torneio em si. O treinador do FC Barcelona, e presidente da Associação Espanhola de Treinadores de Hóquei em Patins, Joaquim Paüls, optou por um comentário muito completo e detalhado, que vale a pena ser divulgado.

05/07/2007 José Paulo Silva

Sobre a selecção espanhola...
A equipa espanhola esteve muito acima do resto. Isto se deve, por um lado, ao bom trabalho do seleccionador nacional e ao excelente nível dos jogadores; Por outro lado, a falta de rivais, pois as selecções importantes estiveram muito aquém do esperado, e quer Portugal, que está a fazer uma mudança profunda na estrutura da selecção e nos membros da equipa; quer a Argentina, que não consegue encontrar um modelo concreto de jogo, nem de equipa, desde a saída dos irmãos Paez e de Salinas, deram muita vantagem ao combinado espanhol, que ganhou sem sequer ter de enfrentar os rivais com maiores tradições.

Sobre o Mundial...
No Mundial, e em linhas gerais, viu-se uma Espanha muito bem preparada e a um excelente nível; uma pequena revolução em equipas de menor dimensão, que ganharam muito ao nível do jogo:
- A Suíça ratificou o segundo lugar conseguido no Europeu de Monza;
- A França, com S. Landrin e Guirec ganha coesão: parece que a mudança de seleccionador foi boa para a equipa;
- Decepção e preocupação pelas mudanças na selecção de Itália, que tem de trabalhar na geração dos actuais juvenis, que estão a um bom nível;

Nos lugares mais abaixo, devo destacar o bom papel de Andorra e Moçambique, que geralmente eram selecções que subiam e voltavam a descer. Devo assinalar quer Andorra, com a sua proposta de defesa “à zona” surpreendeu, apesar de ser triste que muitas equipas não souberam jogar “à zona” com um pouco mais de critério.

O Brasil, com a inclusão de Didi, melhorou bastante em relação à equipa que disputou o Mundial de San José, mas parece-me que não há alternativas no banco brasileiro e não me parece que hajam jogadores que possam trazer algo de novo, quando desaparecerem Karam e Didi. Só Cacau, Michel e Wada parecem apostas seguras na selecção brasileira.

Angola fez uma aposta clara em novos jogadores, chegaram com uma equipa que parecia ir mais além, mas caíram na entrada e acabaram por não concretizaram o papel de surpresas do Mundial, papel esse que foi conseguido pela Suíça. Com uma equipa muito bem organizada e especialmente com um Frederico García Mendez e com um Jérome Desponds a um alto nível, aproveitaram todas as duvidas e pequenos erros dos “grandes” para eliminar Portugal e Argentina. Agora estão no meio da elite mundial e isto é sempre, uma agradável surpresa.

Na zona de “nada”, Chile e Alemanha, que não realizaram um bom mundial, apesar de os chilenos mostrarem alguns pormenores interessantes e por ser uma equipa muito jovem, que lhes dá um futuro promissor.

Inglaterra garantiu a manutenção no Mundial, vencendo no play-out contra Estados Unidos, Holanda e Colômbia. Estes últimos mostraram bons pormenores, mas falta-lhes mais trabalho e experiência em jogos internacionais.

Organização...
Quanto à organização... diríamos que este foi um mundial que acabou abaixo do que era esperado, mas isto já vem sendo habitual no mundo do hóquei... para quando um departamento de imprensa, de marketing, etc...?

Arbitragem...
Destaco também as arbitragens horrorosas: porque não podem ir os melhores árbitros do mundo ao Mundial, e chamam árbitros que não devem apitar mais do que uns 15 jogos por ano na categoria sénior?

 
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