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Organizado pela Federação de Patinagem de Portugal
Fórum com balanço positivo
O Fórum organizado pela FPP, dedicado à discussão da “relação entre os meios de comunicação social e o hóquei em patins” terminou com bons indicadores para o futuro

25/03/2008 Nelson Alves

Decorreu, na manhã de Sábado, dia 22, no Auditório do Estádio Cidade de Coimbra, um fórum organizado pela Federação de Patinagem de Portugal (FPP), com o objectivo de debater com vários órgãos da comunicação social, o estado da “relação” entre estes e o hóquei em patins.
Estiveram representados os três jornais desportivos diários nacionais, a “Agência Lusa”, bem como representantes de uma rádio nacional (Antena 1) e uma rádio local que transmite relatos de hóquei em patins com regularidade. A moderação ficou a cargo do Prof. Luís Gouveia.
Para iniciar o debate, o moderador questionou os representantes dos órgãos de comunicação social escrita pela falta de espaço para as modalidades “ditas amadoras” e, em resumo, pela “futebolização” dos diários desportivos: “Precisamos de saber o que precisam os jornais desportivos para inverter esta situação”, apelou o moderador do debate. Um dos convidados começou por explicar que “nos dias que correm, os jornais são obrigados a tornarem-se rentáveis, e com muita pena nossa, é o futebol que vende!”…

 

As queixas dos jornalistas…
Em resumo, os jornais desportivos queixaram-se da falta de um gabinete de imprensa da FPP.
Numa altura em que “a federação de ténis-de-mesa nos envia resultados dos campeonatos distritais”, os jornalistas desportivos queixam-se de “termos de andar a pedir a todos os clubes as fichas de jogos de hóquei em patins”.
Para a imprensa, esse problema resolvia-se com a solução encontrada por outras modalidades: “todos os clubes deveriam ser obrigados a enviar as fichas de jogo para a FPP e esta deveria informar a imprensa até uma hora depois do final dos jogos”.
Os jornais alertam para o facto de “o hóquei em patins ser a única modalidade que não disponibiliza fichas de jogo, mas é a única cujas fichas de todos os jogos surgem publicadas no dia seguinte nos jornais desportivos”. Isto acontece porque nos jornais, sabe-se da importância do hóquei em patins para os portugueses, mas alertam que “caso esta situação de mantenha, na próxima época deixaremos de publicar as fichas de jogo” pois “não é economicamente viável os jornalistas andarem a telefonar para todos os clubes” e, ainda por cima, “não é admissível estarmos à espera do final de jogos que começam às 22:00h para fechamos uma edição de um jornal!” - alertaram.

“Pelos estatutos, os clubes podem escolher o horário que mais lhes agrada” – explicou o vice-presidente do comité de hóquei.


O primeiro painel, com representantes da imprensa escrita

Os representantes da comunicação social escrita alertaram para a necessidade de, caso não seja possível obrigar os clubes a começarem os jogos mais cedo, “alterem os estatutos ou, pelo menos, alertem os clubes para o facto de, caso não mudem os horários de jogos, simplesmente deixam de ter espaço nos jornais desportivos!”

“Se não alterarem os horários, deixamos de publicar as fichas!” – afirmou um dos jornalistas presentes…


Os “media” também alertaram para o facto de o site da FPP não estar a ser devidamente aproveitado. “No basquetebol e no futebol, sempre que quisermos saber algo, basta consultar os respectivos sites!”
Ainda sobre este tema, um dos elementos do painel de convidados alertou para o facto de “outras modalidades nos bombardearem com informações, enquanto da FPP apenas recebemos dois e-mails por semana, e geralmente desactualizados!”. E pediu à FPP para seguir exemplos, como os do rugby ou do basquetebol. “Queremos que o hóquei nos pressione!” – pediram os jornalistas.

A actualização de dados como as listas de melhores marcadores, disciplina, horários de jogos, caso fosse feita com rapidez, seria um incentivo para os jornalistas “exigirem mais espaço” aos chefes de redacção, concluem. “Coisas que podem parecer insignificantes podem servir de base para fazer trabalhos muito interessantes sobre determinados jogadores ou equipas”, afirmou um dos jornalistas presentes.
E deram um exemplo: “Só ontem soubemos que a selecção nacional tinha ido visitar escolas e hospitais… alguém nos informou? Levaram patins para oferecer às crianças?” – perguntaram os elementos da comunicação social, alertando para o facto de este tipo de acções ser muito bom para a promoção da modalidade e da própria selecção nacional.
O moderador também questionou os jornais sobre se o pouco espaço para o hóquei em patins se devia ao 6º lugar da selecção nacional no Mundial de Montreux, no Verão passado. Os vários convidados responderam que não. “Esta situação vem desde 2003; A Federação não soube aproveitar aquele triunfo em prol da divulgação da modalidade!” – concluíram.

 

Federação prometeu melhorias
Após a conclusão do primeiro painel, o presidente da FPP, Fernando Claro, agradeceu a presença dos jornalistas, bem como a exposição das suas críticas e, sobretudo, das suas propostas para solucionar determinados problemas. “Vamos melhorar a comunicação com os jornais, concordamos que a criação de um gabinete de imprensa é muito importante e, apesar de ser um investimento muito caro, vamos apostar nisso, pois é um investimento que tráz retorno, como vocês provaram” – concluiu o dirigente. “Estamos a tentar resolver uma grave crise financeira em que a FPP esteve mergulhada durante anos, e creio que a breve prazo poderemos facilitar o vosso trabalho”, anunciou o presidente da Federação.
Anunciou, também para breve, melhorias no site oficial daquele organismo, tendo vários jornalistas anunciado, desde logo, a sua disponibilidade para ajudarem “no que for preciso!”

 

Rádios também se queixam…
Apesar da ausência de um representante da televisão, o segundo painel também foi muito interessante. O representante da Antena 1 relembrou que o “hóquei em patins cresceu muito, graças às rádios nacionais, e aos relatos dos jogos feitos na RDP”, mas alertou para o facto de, caso ninguém se mexa, “o hóquei será interessante apenas para os mais velhos”, pois “os mais novos têm outras ofertas”, e por isso as rádios têm de ser ajudadas. Como o formato actual das rádios “está muito formatado, já não há relatos de hóquei, mas podiam haver pequenas informações nos blocos informativos”. Relembraram que nos últimos dias, as rádios só falaram do acidente de viação de José Querido… “o hóquei não é notícia só nestes casos! Nós também poderíamos divulgar resultados, se essa informação nos chegasse!” – relembrou.
Para concluir, sugeriu que a FPP sensibilizasse os clubes para seguirem o exemplo de outras modalidades, e fossem disputados alguns jogos “importantes” aos Domingos à tarde, pois “há lugar para as outras modalidades nas tardes desportivas de Domingo, entre as 15:00h e as 22:00h!” – informou. “Se houver mais material para nós trabalharmos, há possibilidade de fazermos um melhor trabalho jornalístico e, por consequência, criarmos uma melhor imagem para o hóquei em patins!”

Terminou com um pedido: “consigam uma maneira de podermos relatar mais perto da pista! Se estivermos perto da pista, conseguimos sentir mais o jogo e conseguimos transmitir essas emoções para os ouvintes!”

O representante da rádio local criticou a falta de condições de trabalho em determinados pavilhões, especificando “a falta de linhas de telefone” e a “falta de cabines de imprensa espaçosas” que permitam fazer um bom trabalho. “Temos um papel completamente diferente da imprensa escrita, pois damos a informação na hora, e por isso, preenchemos uma lacuna”.
Relembrou que a Liga de Clubes de Basquetebol pagava os custos de manutenção e as contas decorrentes do uso da linha telefónica à PT, e perguntou se alguma vez a FPP se tinha preocupado com as rádios locais. Concluiu em tom critico, afirmando que “se não fossem as rádios locais, não se falava de hóquei em patins neste país!”

 

Resumo: balanço positivo
Como se pode concluir, este fórum foi muito positivo, quer para os jornalistas presentes, bem como para os vários representantes da FPP. Esperamos que, a breve prazo, a FPP efectue as tais melhorias que anunciaram, para bem da divulgação da modalidade.
O Prof. Luís Gouveia agradeceu os “belíssimos contributos dos vários intervenientes”, e adiantou que “a FPP já está a dar passos no sentido de ajudar o trabalho da comunicação social”. Agradeceu o facto de estes contributos terem sido “dados com enorme lucidez e grande elevação, sem constrangimentos nem crispações”, o que favoreceu uma saudável troca de ideias.

As palavras foram ditas, resta-nos esperar pelas acções...

 

 
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