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Taça Latina
Balanço final da prova
A terminar o acompanhamento que o "Mundo do Hóquei" realizou em Coimbra, na Taça Latina, surge agora o balanço final

23/03/2008 José Paulo Silva

O que nós somos? UNIDOS!!!
O que amamos? O HÓQUEI!!!
O que tememos? NADA!!!
O que queremos? O TÍTULO!!!
ÓÓÓ PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!

Este foi o grito de guerra de um grande grupo de trabalho, que mostrou qualidade e realizou uma competição em crescendo, culminando com uma categórica vitória sobre “nuestros hermanos” por 3-0.
Um resultado que poderia ter sido mais volumoso, frente a uma selecção que tem valor para fazer melhor.
A vitória assenta que nem uma luva, numa altura em que o descrédito reina em terras lusas. A vitória na Taça Latina, marca o início da geração Sénica, técnico que conhece perfeitamente estes jovens, já que, apesar de só agora ser técnico principal de Portugal, já acompanha as selecções mais jovens há alguns anos.
Segue-se a análise individual aos 10 campeões:

1. ÂNGELO GIRÃO
“A parede” é a alcunha que me vem à cabeça quando penso na fantástica campanha que o guarda-redes da equipa júnior do Gulpilhares fez ao serviço da “equipa de todos nós”.
De uma segurança acima da média, o grande trunfo do guardião, nomeadamente no jogo final contra a Espanha, foi a forma tranquila como sempre esteve na baliza, demonstrando grande qualidade técnica, bom posicionamento e uns nervos de aço.
Melhor era praticamente impossível.
2. ANDRÉ CENTENO
Na minha humilde opinião, André “Guerreiro” Centeno foi o melhor jogador da competição.
Ele defendeu, atacou, levou algumas vezes “a equipa ás costas”, demonstrando grande capacidade física, visão de jogo, espírito de sacrifício (provavelmente o jogador mais castigado pelos adversários) e uma entrega ao jogo como poucos tiveram.
Depois da experiência em Alcoy, esta época em Braga deu muita maturidade a um atleta que tem tudo para suceder a jogadores como Vítor Fortunato, Filipe Santos ou Sérgio Silva.
É, na verdade, um jogador que deixa tudo em pista e que honra o país que representa, dando um tremendo gosto aos portugueses a forma vibrante como se entrega pela camisola que enverga.
3. GONÇALO PESTANA
O atleta do Paço de Arcos, foi tipo um “Assassino silencioso”, nomeadamente no jogo final, já que sem se dar por ele, teve uma acção preponderante para o desfecho final.
É já uma certeza entre os hoquistas mais jovens, com a vantagem de ainda ter pela frente uma grande margem de progressão.
4. DIOGO RAFAEL
Que grande competição fez o avançado do Benfica.
“Chiquinho”, como é conhecido no meio, deu mais uma prova de todo o seu talento, velocidade, técnica, visão de jogo e vontade de vencer.
Apesar de ser ainda muito jovem, pelo talento que tem, leva-me a escrever que será, sem dúvidas, um dos melhores jogadores do mundo, num futuro a médio prazo.
No jogo decisivo, falhou um livre directo, mas pouco depois redimiu-se e além de marcar, o avançado ainda teve tempo para assistir Pestana.
5. GONÇALO SUÍSSAS
Este “Puto maravilha” teve a missão de liderar um grupo fantástico, cumprindo a sua missão distintamente.
Desportivamente, o avançado da Juventude de Viana esteve um pouco abaixo, nomeadamente na finalização, factor em que é exímio e onde pecou por algumas vezes, mas também por culpa dos guarda-redes contrários.
Muito bem a puxar pelo público, a incentivar os colegas e a pressionar os adversários, Suissas foi um grande líder!
6. JOÃO PINTO
“Mustang” foi dos atletas mais úteis à selecção.
Transmitiu a sua raça, criou situações de golo, assistiu, marcou, defendeu muito e foi dos atletas que mais incentivou os colegas.
Dono de uma técnica acima da média, o atleta da Oliveirense foi uma das apostas de Luís Sénica na conquista da Taça Latina.
7. TIAGO FERRAZ
O atleta bairradino foi, sem dúvidas, um dos grandes pilares da selecção nacional e um grande obstáculo para os adversários que tentavam “violar” as redes nacionais.
Além de ter sido um esteio na defesa, Tiago Ferraz foi, a par de André Centeno, o elemento que tinha a responsabilidade de transportar o jogo para o ataque e fazer brilhar os “matadores” da selecção.
Além de tudo isto, o defesa do Gulpilhares ainda fez o gosto ao aléu por duas vezes.
8. HUGO COSTA
O “irrequieto” avançado barcelense, sempre que foi chamado a entrar nos jogos, demonstrou o porquê de ter sido opção para o seleccionador nacional.
As suas grandes qualidades técnicas, raça, velocidade e capacidade de improviso, fizeram a “cabeça em água” aos seus adversários directos.
9. NUNO ARAÚJO
Apesar de ser um atleta de grandes capacidades, Nuno Araújo, foi dos menos utilizados por Luís Sénica.
O jovem atleta da Nortecoope, é um dos grandes valores sub-23 da actualidade, mas a sua performance na competição, esteve um pouco abaixo do que sabe e pode fazer.
10. IGOR ALVES
O atleta menos utilizado da selecção (jogou o último minuto, no derradeiro encontro), foi muito importante dentro do grupo de trabalho e sem dúvidas será um atleta que se afirmará num futuro muito próximo.
Na Taça Latina, teve à sua frente um Ângelo Girão em grande, mas no final, Igor Alves foi um dos mais efusivos a festejar com o seu colega de posição, demonstrando um grande profissionalismo e personalidade.

 

NOTAS FINAIS

Organização - Simplesmente perfeita! Nada faltou ás selecções, tudo se realizou dentro dos timings, dando uma boa imagem de Coimbra e de Portugal. Além dos voluntários, uma grande palavra para os funcionários da Câmara Municipal de Coimbra que foram inexcedíveis a todos os níveis.

Limpeza - Fantástico! O Pavilhão, durante os três dias esteve "num brinco". Diversas eram as equipas que por diversas vezes ao dia tratavam de todas as questões de higiene e bem estar das instalações. No último dia de competição, o Pavilhão brilhava, dando um grande exemplo de qualidade e bem estar.

Instalações - 8 balneários para equipas, 2 para árbitros, um enorme espaço para os órgãos de comunicação social trabalharem, uma pista com grande qualidade. Condições mais que suficientes para Coimbra aspirar por competições ainda de maior envergadura.

Público - Apesar de não ser suficientemente entusiasta, muita gente acorreu a Coimbra para presenciar a Taça Latina. O Pavilhão que acolheu a competição, recebeu muitos agentes da modalidade, que se deslocaram dos mais variados pontos geográficos.

França - Apesar de terem entrado muito mal contra a Espanha (derrota por 0-8), a equipa de Eric Marquis deu que fazer aos "tugas", perdendo apenas pela margem mínima (2-1). Na última jornada, os franceses ainda aguentaram o jogo equilibrado até ao descanso, mas na etapa final, os transalpinos dispararam no marcador e golearam por 6-2.

Itália - A equipa comandada por Cupisti, apesar de entrar com uma derrota frente a Portugal, deu bem que fazer aos atletas lusos. Na segunda partida, frente aos espanhois, os italianos entraram "duros", a jogar em contra-ataque e aproveitaram a passividade dos árbitros, para jogarem mais "no osso", condicionando o jogo espanhol e arrancando um precioso empate a um golo. No último dia de competição, a Itália venceu a França por 6-2.

Espanha - A "Armada espanhola" entrou na competição a todo o gás e goleou a França por 8-0, mas pelos vistos o seu poder de fogo ficou por aqui, já que no dia seguinte não foi além de um empate a um golo com a Itália, perdendo no último dia frente a Portugal por 0-3.

Portugal - Depois das vitórias "apertadas" dos tugas frente a Itália (4-3) e a França (2-1), poucos seriam os adeptos que acreditavam que a selecção nacional sub-23 aplicasse chapa 3 à toda poderosa Espanha. A vitória na Taça Latina, premeia a disciplina táctica da equipa de todos nós, que, principalmente contra a Espanha, efectuou uma exibição de "encher o olho".

Luís Sénica - Tem sido duramente criticado por alguns "iluminados" da modalidade, nomeadamente no que diz respeito ao facto de haverem seleccionadores a sair da F.P.P. e o D.T.N. continuar em funções. Contra tudo e (quase) todos, Luís Sénica aceitou o desafio proposto pela direcção da F.P.P. e assumiu o cargo de Seleccionador Nacional. Rodeou-se de pessoas da sua confiança e os resultados começam já a aparecer. A Taça Latina é a primeira conquista da "era Sénica" e esperemos que não seja a única.

Após este balanço sobre o que se passou no Pavilhão Multidesportos de Coimbra, apresentamos algumas das imagens que ficarão para a posteridade...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 
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