22/04/2007 Nelson Alves
A primeira edição do Campeonato Europeu de Juniores
Femininos terminou com uma sensação de “deja
vú”. É que, apesar de esta ter sido a primeira
edição “oficial” do torneio, não
devemos esquecer a edição “zero”, realizada
em Gijón, há dois anos atrás. A vitória
conseguida pela Espanha no Sábado à noite pode ser
considerada “fruto” do trabalho feito por “nuestros
hermanos” nos últimos anos, no sector de formação
feminino. Esta foi também a “repetição”
do que sucedera na véspera, na fase de apuramento. Nessa
ocasião, a Espanha levou de vencida a selecção
anfitriã, por 4-0.
O jogo começou muito equilibrado. De um lado, as talentosas
jogadoras portuguesas, bem preparadas fisicamente, mas muito inexperientes
ao nível internacional; do outro lado, uma selecção
espanhola experiente, com cinco jogadoras a repetir o título
alcançado em 2005, em Gijón.
A primeira grande ocasião de golo foi das portuguesas.
Logo no primeiro minuto do encontro, Tânia Freire surgiu
isolada, não conseguindo enganar a guardiã espanhola,
Laia Salicru.
Um minuto depois, a Espanha mostrava como se fazia: Paula Torner
faz “meio golo”, ao isolar Yolanda Font que surgiu
na “cara” de Ana Rita. Esta não conseguiu evitar
o primeiro golo das espanholas.
Poucos depois, Tânia Freire lesionou-se, e cedeu o seu lugar
a Rita Paulo. Freire voltaria ao jogo momentos depois, esforçando-se
ao máximo para dar a volta ao resultado… apesar da
gravidade da lesão!
A partida estava emocionante, com Portugal a correr “atrás
do prejuízo”, mas com as espanholas a terem tudo
controlado. A Espanha aproveitava todas as oportunidades para
pressionar as atletas lusitanas, tentando afastá-las o
mais possível da baliza defendida por Salicru.
A meio do primeiro tempo, a Espanha teve a oportunidade para aumentar
a vantagem. Na cobrança de um livre directo, Paula Torner
não conseguiu enganar Ana Rita, que defendeu com mestria.
Logo depois, Sofia Vicente foi a autora de um remate que levava
“carimbo de golo” mas… a bola embateu na trave
e não entrou.
A cinco minutos do intervalo, Portugal perdeu a bola a meio-campo.
O esférico sobrou para a “endiabrada” Paula
Torner que, depois de fintar duas defesas contrárias, ficou
“frente a frente” com Ana Rita e… não
perdoou, anotando o segundo golo, com um remate em jeito, sem
hipótese de defesa.

O segundo tempo começou com a Espanha a mostrar “ganas”.
Yolanda Font rematou rasteiro, obrigando Ana Rita a uma defesa
“in extremis” (2’).
Seguiram-se várias situações de perigo, ora
do lado português, ora do lado espanhol: a boa exibição
das duas guarda-redes evitou que o marcador se alterasse. A oportunidade
mais flagrante surgiu mais uma vez pelo “stick” de
Paula Torner, que viu a bola embater no ferro.
Para o lado lusitano, destaque para um livre indirecto, quase
frontal à baliza espanhola. O remate de Rita Paulo saiu
forte, mas ao lado. Pouco depois, a jovem Inês Raimundo
pôs a guardiã espanhola “à prova”,
ao rematar cruzado da direita.
Seguiu-se um passe de Gisela Honório para Rita Paulo; A
intenção da capitã era boa, mas a bola saiu
muito alta, e Rita Paulo não conseguiu emendar a trajectória
do esférico.
A 1’50” do final do encontro, surgiu a “estocada”
final. Paula Torner, atenta, recuperou a posse de bola perto do
meio campo, com a selecção portuguesa “balanceada”
no ataque. Sozinha frente à desamparada Ana Rita, a avançada
espanhola bisou.
Com esta desvantagem, estava feito o resultado. Rita Paulo foi
a autora do último remate do encontro, quando a selecção
desesperava por um golo… de honra.

A Portugal faltou sorte, mas também faltou a eficácia
e a frieza que caracterizaram a selecção espanhola.
Faltou sobretudo experiência. Mas sobrou empenho, espírito
de grupo, vontade de vencer!
A arbitragem cometeu alguns erros.
As equipas alinharam e marcaram:
PORTUGAL (0):
Ana Rita Jesus (gr); Tânia Freire, Sofia Vicente, Cátia
Gomes, Gisela Honório – cinco inicial - Rita Paulo
e Inês Raimundo; Não jogaram: Vera Silva (gr); Andreia
Ribeiro e Maria Inês Santos;
ESPANHA (3):
Laia Salicru (gr); Maria Diez, Berta Tarrida, Yolanda Font (1),
Paula Torner (2) – cinco inicial - Marta Mompart; Não
jogaram: Mercê Ribas (gr); Esther Nadal, Jana Verdura e
cláudia Miret;
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Paulo Lopes (seleccionador nacional
português):
“A Espanha foi mais forte. Conseguimos chegar à
baliza, mas não aproveitamos as oportunidades para
marcar. Também nos faltou sorte. Estamos a trabalhar
para ter essa sorte, que nos faltou hoje. Há um fosso
qualitativo entre as duas equipas, mas esse fosso está
a diminuir. Tenho algumas queixas em relação
à arbitragem, mas não ponho em causa que a Espanha
mereceu ganhar. Quero realçar o ambiente criado em
torno da selecção e o “fair play”
dos espectadores.” |
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Joan Solé (seleccionador nacional espanhol):
“Trabalhamos muito para alcançar este título.
Estamos a trabalhar para que o hóquei feminino siga
desenvolvendo-se. Já participamos em vários
campeonatos organizados em terras portuguesas, e tem sido
sempre fantástico cá vir. Os portugueses perderam,
mas como gostam de hóquei, saíram daqui contentes,
pois souberam apreciar o espectáculo. Só foi
pena terem participado apenas quatro equipas, mas espero que
no futuro haja mais países a concorrer.” |
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Gisela Honório (capitã da selecção
portuguesa): “Jogávamos em casa. Viemos para
jogar hóquei, e penso que saímos daqui com o
dever cumprido. Mas quando a equipa adversária marca
mais golos, temos de lhes dar os parabéns. Faltou-nos
sorte!” |