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Entrevista a Quim Paüls
Antes e depois do jogo Barcelos - Barcelona, estivemos com Joaquim Paüls, treinador do F.C. Barcelona. Uma oportunidade que não é única, mas muito rara. Aproveitamos para falar, não só do Barcelona, mas também de hóquei internacional. Quim Paüls apela sem cessar a um "cambio radical" no hóquei em patins

27/02/2007 Nelson Alves

Mundo Hóquei: Que antevisão faz deste jogo com o Barcelos?
Quim Paüls: Este é um encontro um pouco especial, pois nós chegamos classificados, e pensamos mais na “Copa del Rey” que vamos disputar na próxima semana, e não neste jogo. E por isso, convocamos quatro jogadores seniores e quatro juniores. Viemos para desfrutar do hóquei e tentar proporcionar um bom espectáculo. Este jogo é mais de “trâmite”, e para nós é pouco importante neste momento.  

MH: Até agora, o Barcelona só teve duas derrotas ao longo da temporada. Até ao fim, como vai ser? Sempre a ganhar?
QP: O importante foi o que alcançámos até agora. E também devemos pensar que estamos a lutar por três competições. Temos muitos adversários que não são fáceis de vencer. Mas na altura de ganhar os títulos, veremos o que ocorrerá. 

MH: Quais as maiores dificuldades que terá o Barcelona na “Final Four” da Liga dos Campeões?
QP: Creio que uma grande dificuldade a ultrapassar será o Bassano, pois jogam em casa, e as equipas italianas, quando jogam em casa, são muito fortes. Por outro lado, Porto e Vic são bastante fortes, e chegaram a esta fase por mérito próprio. Não esqueçamos que o grupo de Bassano e Porto era muito complicado, muito difícil, e apuraram-se as equipas que estiveram em melhor forma. Porto e Bassano são rivais a ter em conta.

MH: Qual a sua opinião sobre a proposta de alteração às competições europeias de clubes?
QP: A mudança, em meu entender, deveria passar pela criação de uma Liga Profissional, onde nos pudéssemos desmarcar de tudo o que há agora, criando uma estrutura muito forte, com televisão… Uma estrutura verdadeiramente profissional!
Esse passo não se vai dar, por agora. Mas creio que para os clubes grandes interessa muito mais esse tipo de eventos.
Acho que na proposta que está a ser estudada, seria um erro jogar às Terças ou às Quartas-Feiras. Por um lado, há equipas pequenas que não poderão jogar. Por outro lado, estar-se-ia a dar mais prioridade às ligas nacionais, em vez da Taça da Europa, quando deveria ser ao contrário. Eu posso jogar com o Maçanet ou o Voltregà à Terça-Feira. Mas não posso fazer o mesmo com o Porto ou o Benfica! Esses jogos têm de ser ao fim de semana!
A prioridade para os grandes clubes tem de ser a Taça da Europa! O publico quer ver, nos seus pavilhões, essas equipas. Neste aspecto, para mim não há duvidas!

MH: No Verão, você esteve no Chile, onde ajudou os treinadores locais a desenvolver o hóquei daquele país. Esse projecto - e outros similares – já estão a dar frutos?
QP: Diria que o “fruto a curto prazo” já o tiveram: recordo que o Chile sagrou-se campeão do mundo feminino há pouco tempo atrás, e isso demonstra que se fez um trabalho sério, não só por minha parte, mas também por parte da Federação Chilena, com o seleccionador nacional, Rodrigo, e toda a equipa técnica. Acho que o nível dos jogadores chilenos está a evoluir muito mais rápido que o nível directivo. Nós, os treinadores, os que amamos esta modalidade, temos de unir esforços para que haja uma mudança. Creio também que o melhor modo de resolver os problemas do hóquei não é protestar contra o que se está a fazer – que é nada – mas sim desenvolver acções que possam desenvolver o hóquei.
Através da Associación Española Entrenadores de Hockey Patines, da qual sou presidente, mantemos contactos com várias federações nacionais, e tentamos que o hóquei siga em frente.

MH: Quais são os maiores obstáculos do Barcelona nessa luta pelo desenvolvimento do hóquei?
QP: O nosso maior problema é que o Barcelona é uma referência a nível mundial, e por isso tentamos ajudar todo o mundo. Mas estamos sós. É preciso haver uma mudança directiva a nível mundial.
Sem dúvida que os grandes clubes estão a desempenhar um bom papel para que o hóquei continue a sobreviver e que cresça. O problema é que o hóquei está a descer de nível, apesar do trabalho desses clubes. Defendo que o hóquei em patins deve ter uma federação própria, isolada do resto das federações de patinagem, e que trabalhe em prol do hóquei. Penso que ao nível do FIRS se esforçam muito para que as “corridas” dominem tudo. O hóquei não pode depender apenas do Porto ou do Barcelona. Há que criar uma federação própria e, acima de tudo, uma modalidade distinta do que há agora.
Há que criar uma mentalidade “de empresa”, criar uma estrutura verdadeiramente profissional. Há que criar estratégias de marketing e gestão, pois nada disso existe.
As pessoas que gostam de hóquei têm de estar a favor do hóquei, e não a favor dos dirigentes. E os dirigentes têm de fazer o que o hóquei precisa, pois este desporto precisa de mudanças radicais em todas as suas estruturas.

MH: O que pensa dos últimos desenvolvimentos do “Caso Catalunha”?
QP: Creio que nesse caso há um problema entre a federação espanhola e a federação catalã, e isso é um problema entre dirigentes. Só falo de questões desportivas, e não quero falar desse tipo de questões.

MH: Quais são as suas previsões para o próximo Mundial de Montreux?
QP: Eu acredito que a Espanha é o maior candidato à vitória. Porque temos melhor equipa – principalmente ao nível de guarda-redes – e porque a Espanha tem vindo a trabalhar muito bem, desde a base. E por isso, acredito que a Espanha leva clara vantagem sobre as outras selecções. Claro que Portugal, Argentina ou Itália (se estiver na máxima força), são selecções potentes.
Acrescento também que, mais importante do que a vitória de Espanha, também me interessam as outras selecções, que geralmente se classificam do quinto lugar para baixo, e que podem aspirar a algo mais.
Brasil, Chile, Suiça, França e Angola. O que estas equipas podem dar ao hóquei? É importante que estas selecções pratiquem um hóquei moderno, ágil, e que mostrem que estão a trabalhar bem.

MH: Agradeço em nome de toda a equipa do “Mundo Hóquei”. Até uma próxima oportunidade!
QP: Gracias, muy simpáticos!

 

Agradecimentos especiais: Guillém Alcon e Javier Gonzalez, pelo apoio e incentivo; em especial, a Miquel Masoliver, pela simpatia!

 

 

 
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