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Entrevista a...

Dan Mortreux

Na Foto: Dan Mortreux, seleccionador nacional francês (hóquei feminino)

30/04/2007 Nelson Alves

Em entrevista ao “Mundo do Hóquei”, o seleccionador nacional francês. Este trabalho foi feito no decorrer da primeira edição do Campeonato da Europa de Juniores Femininos, e serve essencialmente para dar a conhecer um pouco mais do actual seleccionador francês de juniores e seniores femininos, mas também da realidade do hóquei em patins francês: masculino e feminino.

HÓQUEI FEMININO

Mundo do Hóquei: Há quanto tempo dirige as selecções femininas da França?
Dan Mortreux: Dirijo a selecção de juniores femininos há… dois dias (!), e a selecção de seniores há sete anos. Na Direcção Técnica Nacional, estamos a desenvolver um trabalho a nível nacional, onde a componente da formação das jogadoras que fazem parte das duas selecções é muito importante. Também desenvolvemos um trabalho de formação de treinadores.

MH: Aproxima-se o Campeonato Europeu de Seniores Femininos, e a França é a campeã em título… como está a ser feita a preparação da selecção francesa?
DM: Estou muito preocupado. A França é campeã em título. É o único título conseguido pelo hóquei francês, e só vamos ter dois meses, durante o Verão, para preparar a equipa. Isso é muito mau!
A base da selecção de seniores será a mesma que foi campeã europeia. A essas jogadoras, vamos juntar algumas jovens. A nossa jogadora mais experiente é a capitã, que tem 28 anos e quer-se retirar. Estamos a tentar que ela fique mais algum tempo, para que a sua experiência seja transmitida a estas jogadoras, que são todas muito novas, com 17 anos de idade.
Da actual selecção de juniores femininos, vou chamar à pré-selecção três jogadoras.

MH: Como antevê a participação dos clubes franceses no próximo Campeonato Europeu de Clubes Femininos, que se vai disputar em Voltregà?
DM: Os dois clubes mais fortes são o Noisy le Grand e o Coutras. Desses clubes fazem parte a maior parte das nossas internacionais. O Noisy é bi-campeã nacional. A oputra equipa é um misto de jogadoras de vários clubes da região de Lyon… quase não treinam juntas!

MH: Na França há competição oficial para juniores femininos?
DM: As raparigas jogam com os rapazes em equipas mistas, até aos iniciados. A partir daí, os clubes participam na “Taça de França”, que é disputada em vários escalões, em ambos os sexos. Esta prova é disputada anualmente, durante dois fins-de-semana. Como o nosso país é muito grande, os clubes juntam-se, participando como uma espécie de “clube regional”.

A selecção francesa, campeã europeia em 2005


SELECÇÃO MASCULINA

MH: Você faz parte da Direcção Técnica Nacional… o que sabe sobre a selecção nacional masculina que vai participar no Campeonato do Mundo de Montreux?
DM: A selecção nacional trocou de treinador há dois meses. Estão a tentar juntar um grupo de jogadores mais experientes, para tentar colmatar a falta de tempo para treinarem juntos. Espero que os seniores tenham mais tempo para se prepararem do que aquele que vou ter com a selecção feminina!

HÓQUEI FRANCÊS

MH: Quais são as principais dificuldades do hóquei em patins feminino francês?
DM: As dificuldades são as mesmas, quer no masculino, quer no feminino. Esta é uma modalidade muito dispendiosa, que vive muito de donativos. Mas há cada vez menos gente a investir no hóquei em patins, e na França a modalidade sofre. O hóquei não é mediático, não é olímpico… e é pouco popular.

MH: Que incentivos há para o desenvolvimento do hóquei francês? Como vai ser o futuro da modalidade?
DM: Para tentar desenvolver o hóquei francês, a Direcção Técnica Nacional decidiu lançar um plano de desenvolvimento da modalidade. A região onde se vai trabalhar com mais profundidade é a de Lyon (Rhône-Alpes). No sector feminino, é uma região muito vasta, que tem apenas nove clubes. Mas é aí que estamos a trabalhar, desde a base, para criar uma “alternativa” às regiões onde o hóquei é mais forte: Aquitânia e Bretanha.
Pelo que vemos nesta região, o hóquei em patins esta a crescer bem. O hóquei vai evoluir nesta região de Rhône-Alpes.
Trabalhamos essencialmente com os mais novos: “Benjamins” e “Minis”. Infelizmente, não há treinadores suficientes a trabalhar ao nível da formação, e por isso temos de desenvolver treinos ao nível de técnica e táctica.
No futuro, iremos impor um método de classificação dos jogadores, parecido com o que é usado no esqui: os jogadores são avaliados, e os melhores jogadores de cada região receberão medalhas, e a sua classificação será pública. Assim, vai-se saber quais os clubes onde se trabalha melhor na formação, e quais os jogadores que estão mais preparados para representar a selecção nacional. Este método também serve para incentivar os jovens a trabalharem mais, a serem cada vez melhores.

MH: Se o hóquei é mais popular nas regiões de Aquitânia e Bretanha, porque não desenvolver um projecto deste tipo nessas regiões?
DM: Na região de Rhône-Alpes, estamos a ensinar aos jovens desta região os princípios gerais da modalidade, desde o “zero”. Isso não seria possível nas regiões mais tradicionais, pois há muitos “vícios”. Há muita aprendizagem por “experiência”, sem muitas bases científicas. Além disso, se começarmos a trabalhar do nada, numa nova região, estaremos a criar uma alternativa às zonas mais tradicionais. O hóquei francês será melhor nesta região, e depois poderemos fazer o mesmo noutras regiões, um pouco por todo o país.

MH: Há mais alguma coisa, além deste trabalho na região de Lyon?
DM: Estamos a divulgar o hóquei 3x3. Esse projecto também é para crianças, dos 4, 5 e 6 anos. Os rinques têm 10x20 m, e as equipas são constituídas por três elementos. O mais original do nosso projecto é que incentivamos os miúdos “federados” a trazerem um ou dois amigos “não federados”. Para além de se divertirem, as crianças ficam a saber o que é o hóquei em patins.

Esta entrevista só foi possivel graças ao apoio prestado pela organização do "1º Campeonato Europeu de Juniores Femininos" e pelo "Jornal da Mealhada".

 
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