HÓQUEI FEMININO
Mundo do Hóquei: Há quanto
tempo dirige as selecções femininas da França?
Dan Mortreux: Dirijo a selecção de juniores femininos
há… dois dias (!), e a selecção de
seniores há sete anos. Na Direcção Técnica
Nacional, estamos a desenvolver um trabalho a nível nacional,
onde a componente da formação das jogadoras que
fazem parte das duas selecções é muito importante.
Também desenvolvemos um trabalho de formação
de treinadores.
MH: Aproxima-se o Campeonato Europeu de
Seniores Femininos, e a França é a campeã
em título… como está a ser feita a preparação
da selecção francesa?
DM: Estou muito preocupado. A França é campeã
em título. É o único título conseguido
pelo hóquei francês, e só vamos ter dois meses,
durante o Verão, para preparar a equipa. Isso é
muito mau!
A base da selecção de seniores será a mesma
que foi campeã europeia. A essas jogadoras, vamos juntar
algumas jovens. A nossa jogadora mais experiente é a capitã,
que tem 28 anos e quer-se retirar. Estamos a tentar que ela fique
mais algum tempo, para que a sua experiência seja transmitida
a estas jogadoras, que são todas muito novas, com 17 anos
de idade.
Da actual selecção de juniores femininos, vou chamar
à pré-selecção três jogadoras.
MH: Como antevê a participação
dos clubes franceses no próximo Campeonato Europeu de Clubes
Femininos, que se vai disputar em Voltregà?
DM: Os dois clubes mais fortes são o Noisy le Grand e o
Coutras. Desses clubes fazem parte a maior parte das nossas internacionais.
O Noisy é bi-campeã nacional. A oputra equipa é
um misto de jogadoras de vários clubes da região
de Lyon… quase não treinam juntas!
MH: Na França há competição
oficial para juniores femininos?
DM: As raparigas jogam com os rapazes em equipas mistas, até
aos iniciados. A partir daí, os clubes participam na “Taça
de França”, que é disputada em vários
escalões, em ambos os sexos. Esta prova é disputada
anualmente, durante dois fins-de-semana. Como o nosso país
é muito grande, os clubes juntam-se, participando como
uma espécie de “clube regional”.

A selecção
francesa, campeã europeia em 2005
SELECÇÃO MASCULINA
MH: Você faz parte da Direcção
Técnica Nacional… o que sabe sobre a selecção
nacional masculina que vai participar no Campeonato do Mundo de
Montreux?
DM: A selecção nacional trocou de treinador há
dois meses. Estão a tentar juntar um grupo de jogadores
mais experientes, para tentar colmatar a falta de tempo para treinarem
juntos. Espero que os seniores tenham mais tempo para se prepararem
do que aquele que vou ter com a selecção feminina!

HÓQUEI FRANCÊS
MH: Quais são as principais dificuldades
do hóquei em patins feminino francês?
DM: As dificuldades são as mesmas, quer no masculino, quer
no feminino. Esta é uma modalidade muito dispendiosa, que
vive muito de donativos. Mas há cada vez menos gente a
investir no hóquei em patins, e na França a modalidade
sofre. O hóquei não é mediático, não
é olímpico… e é pouco popular.
MH: Que incentivos há para o desenvolvimento
do hóquei francês? Como vai ser o futuro da modalidade?
DM: Para tentar desenvolver o hóquei francês, a Direcção
Técnica Nacional decidiu lançar um plano de desenvolvimento
da modalidade. A região onde se vai trabalhar com mais
profundidade é a de Lyon (Rhône-Alpes). No sector
feminino, é uma região muito vasta, que tem apenas
nove clubes. Mas é aí que estamos a trabalhar, desde
a base, para criar uma “alternativa” às regiões
onde o hóquei é mais forte: Aquitânia e Bretanha.
Pelo que vemos nesta região, o hóquei em patins
esta a crescer bem. O hóquei vai evoluir nesta região
de Rhône-Alpes.
Trabalhamos essencialmente com os mais novos: “Benjamins”
e “Minis”. Infelizmente, não há treinadores
suficientes a trabalhar ao nível da formação,
e por isso temos de desenvolver treinos ao nível de técnica
e táctica.
No futuro, iremos impor um método de classificação
dos jogadores, parecido com o que é usado no esqui: os
jogadores são avaliados, e os melhores jogadores de cada
região receberão medalhas, e a sua classificação
será pública. Assim, vai-se saber quais os clubes
onde se trabalha melhor na formação, e quais os
jogadores que estão mais preparados para representar a
selecção nacional. Este método também
serve para incentivar os jovens a trabalharem mais, a serem cada
vez melhores.

MH: Se o hóquei é mais popular
nas regiões de Aquitânia e Bretanha, porque não
desenvolver um projecto deste tipo nessas regiões?
DM: Na região de Rhône-Alpes, estamos a ensinar aos
jovens desta região os princípios gerais da modalidade,
desde o “zero”. Isso não seria possível
nas regiões mais tradicionais, pois há muitos “vícios”.
Há muita aprendizagem por “experiência”,
sem muitas bases científicas. Além disso, se começarmos
a trabalhar do nada, numa nova região, estaremos a criar
uma alternativa às zonas mais tradicionais. O hóquei
francês será melhor nesta região, e depois
poderemos fazer o mesmo noutras regiões, um pouco por todo
o país.
MH: Há mais alguma coisa, além
deste trabalho na região de Lyon?
DM: Estamos a divulgar o hóquei 3x3. Esse projecto também
é para crianças, dos 4, 5 e 6 anos. Os rinques têm
10x20 m, e as equipas são constituídas por três
elementos. O mais original do nosso projecto é que incentivamos
os miúdos “federados” a trazerem um ou dois
amigos “não federados”. Para além de
se divertirem, as crianças ficam a saber o que é
o hóquei em patins.
Esta entrevista só foi possivel graças
ao apoio prestado pela organização do "1º
Campeonato Europeu de Juniores Femininos" e pelo "Jornal
da Mealhada".