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Entrevista a...

James “Jimmy” Trussel

Na Foto: O Seleccionador norte-americano, Jimmy Trussel, ao lado de João Carlos Paupério, presidente da Associação Desportiva de Valongo;

VERSÃO PORTUGUESA ::: ENGLISH VERSION

08/04/2007 Nelson Alves

Jimmy Trussel é o actual seleccionador norte-americano de hóquei em patins, tendo assumido esse cargo há dois anos, após a saída do argentino Mário Agüero.
Trussel teve uma carreira de sucesso como jogador: vestiu as camisolas de vários clubes italianos, como Vercelli, Valdagno e Thiene. Venceu a liga italiana em 1985/86 pelo Vercelli, e foi finalista da Taça CERS, pelo Thiene, em 1992/93. Foi por duas vezes o 2º melhor marcador da liga italiana, sempre atrás do mítico Pino Marzella.
Na selecção dos EUA, viveu alguns dos melhores momentos dos americanos nesta modalidade: recorda por exemplo, a vitória sobre Espanha (Novara, 1984) ou os empates com Portugal, nos jogos mundiais.
Em 1984, foi o melhor marcador do Mundial, juntamente com o italiano Bernardini e o espanhol Quim Paüls.
Como treinador, ainda não tem muita experiência, sendo este o primeiro grande desafio da sua carreira como técnico. Nos últimos anos, treinou uma equipa de hóquei em patins em Salt Lake City, onde vive desde que regressou de Itália.

 

DIGRESSÃO EM PORTUGAL

Qual a importância que tem, para si, estar em Portugal?
Esta experiência foi importante para nós, pois estivemos a treinar a selecção dos Estados Unidos a um nível de jogo diferente. Foi importante para nós saber o quanto bons ou maus nós somos. Assim, voltaremos a casa, vamos treinar, para melhorar em alguns aspectos.


SELECÇÃO NORTE-AMERICANA

Os Estados Unidos vão jogar com Portugal no Campeonato do Mundo… qual o seu objectivo para esse jogo?
Bem, vai ser um jogo muito difícil (risos)… Mas sabes, eu diria que cada jogo tem a sua história. Gostaria que o jogo fosse competitivo, e que nós pudéssemos jogar bem, e conseguir um bom resultado. A selecção portuguesa é obviamente muito boa, com muito talento, e não posso prometer uma vitória (risos)!!! Mas vamos tentar dar-lhes um bom jogo. Eu creio que podemos ser competitivos.

Em relação ao campeonato? Qual é o lugar que ambiciona?
Não há dúvidas que queremos terminar no “top-8” mundial. Esperamos qualificarmo-nos no nosso grupo, e na fase final, apenas competir e evoluir. Ultrapassar as nossas fraquezas e ter algum sucesso.

Agora que se passaram dois anos, pode-me dizer o que ganhou o hóquei norte-americano com a organização do Campeonato do Mundo?
Os Estados Unidos acolheram o Campeonato do Mundo em 2005. Foi uma oportunidade para nós organizarmos uma grande competição, mas pessoalmente, não tenho a certeza que nós fossemos suficientemente grandes para acolher esse tipo de eventos. Mas os americanos fizeram o melhor que puderam. Talvez graças ao Mundial, nós consigamos desenvolver o nosso programa, e trazer mais pessoas para praticar esta modalidade…


HÓQUEI NOS ESTADOS UNIDOS

Quais são as maiores dificuldades que vocês têm para praticar hóquei nos Estados Unidos?
Temos várias. As distâncias são enormes, e para disputar um jogo, com o clube mais próximo do meu, tenho de fazer uma distância equivalente a ir de Portugal até à Alemanha!
E depois, há o hóquei em linha. No meu rinque de patinagem, tenho 200 praticantes de “inline”, e apenas 20 de hóquei em patins. Tento trazer alguns “inliners” para o hóquei tradicional, e a maior parte acaba por ficar…
Falta-nos também o estatuo olímpico. Precisamos de ter mais praticantes. A selecção norte-americana tem de lutar pelos primeiros lugares, tal como no hóquei no gelo e no hóquei em linha. Mas temos ainda um longo caminho a percorrer…

O que ambiciona para o hóquei em patins norte-americano?
O hóquei em patins está a crescer. Estamos a ter algum sucesso na reorganização do desporto, mas acho que ainda somos muito pequenos. Temos apenas 500 ou 600 hoquistas em toda a América, e isso é muito pouco. Mas como disse, há sinais de melhorias, há sinais de que a actual estrutura organizativa é melhor. Esperamos duplicar os números actuais nos próximos anos. Também vamos trabalhar duro na nossa selecção nacional, tentar desenvolver o seu modo de jogar… por isso, tenho esperança! Eu não acho que seja bom queixarmo-nos… bom é trabalhar, tentar descobrir soluções.

E em relação às pistas de patinagem?
Nós precisamos de mais rinques. Há muitas pistas de patinagem nos Estados Unidos. Mas na maior parte delas, não se pratica hóquei em patins. Penso que se organizarmos ligas, se desenvolvermos o nosso programa, estou confiante de que haverão mais espaços para jogar hóquei em patins no futuro.

Nesse seu programa, você está a tentar promover a modalidade um pouco por todo o país, ou aposta em alguma região específica?
Nós temos três regiões: Ocidental, Central e Oriental. Cada uma dessas regiões, tem mais ou menos o tamanho da Europa… temos um país muito grande! O nosso objectivo é desenvolver o hóquei em patins em cada região. Organizar campeonatos, onde de cada região se apurariam os clubes para os nossos campeonatos nacionais. Seroa excelente se tivéssemos clubes de todo o país nos Nacionais, e seria também um excelente meio de promoção do desporto no futuro.

 
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