05/04/2007 Nelson Alves
SELECÇÃO
NACIONAL
Que antevisão faz dos adversários
de Portugal no Torneio de Montreux, e depois, na primeira fase
do Mundial?
O Torneio de Montreux está integrado na preparação
da selecção para o Mundial. Vamos testar a equipa,
nomeadamente ao nível táctico e de entendimento
entre os atletas, para termos um bom suporte colectivo para enfrentar
o Mundial. Por outro lado, vamos observar em competição
alguns jogadores que não iniciaram este processo, que começou
no ano passado.
Mas o nosso grande objectivo é o Mundial, que terá
duas fases. Queremos ter a melhor classificação
possível para enfrentar os oitavos de final, e portanto,
vamos querer ganhar todos os jogos!
Mas teoricamente são três equipas
(França, Estados Unidos e Moçambique) com valores
completamente diferentes…
Sim, mas temos de os vencer. O que é preciso é encarar
cada jogo, tendo em conta as características do adversário.
O facto de considerarmos “à priori”
que uns são mais fortes do que os outros, não é
importante.
Neste estágio dá-se mais prioridade
à condição física dos atletas do que
em anos anteriores?
Não. Este estágio foi dividido em dois micro-ciclos.
O primeiro, na semana passada, com três unidades de treino.
Adaptamos essas unidades de treino aos atletas e aos clubes em
que jogam, e sem dúvida que tivemos sempre uma parte dedicada
à recuperação física. Também
tivemos uma componente teórica e de procedimentos tácticos.
Nesta segunda semana, pretendemos aprofundar essas componentes,
e preparar os jogos.
Porque não há jogos de preparação?
Preferi não fazer jogos de preparação, pois
os jogadores estão num quadro competitivo intenso, ainda
com a 3ª Eliminatória dos play-off pela frente, nomeadamente
a final. Uma vez que convoquei apenas dez jogadores, não
quero correr riscos desnecessários, como lesões
que possam prejudicar os atletas nos seus compromissos com os
clubes.
Para o Mundial, você vai dispor de
cerca de três semanas de estágio de preparação…
Sim, é o que está planeado, embora tenha de haver
uma gestão ao nível individual, pois há jogadores
que irão terminar mais cedo, e há que controlar
se os atletas que vão participar no Mundial se vão
manter em actividade ou não. Há que garantir o “não
abaixamento” da condição física deles,
até ao inicio do estágio.
Nessa fase, já haverão jogos de preparação.
Estão a ser estudadas várias hipóteses, mas
tudo será decidido quando eu regressar de Montreux.
Quais são as suas expectativas, em
termos de publico, mediatismo, competitividade, para esta edição
do Campeonato do Mundo?
No que diz respeito ao trabalho da selecção, não
podemos pensar se há muito ou pouco publico. Mas obviamente
que o impacto desta prova será muito maior que em 2005,
pois Montreux é uma região onde o hóquei
é uma modalidade querida. Com a particularidade de esta
ser uma região onde há muitos portugueses, e por
isso seremos com certeza muito apoiados, como tem sido apanágio
dos nossos emigrantes!
Por outro lado, é muito bom ver grandes jogos de hóquei
com o pavilhão cheio, como aconteceu agora na “final
four”, em Bassano. Foi um espectáculo! Como é
que ainda é possível dizer-se que o hóquei
não é espectacular? Ou que não tem popularidade?

CAMPEONATO NACIONAL
Em Portugal, vai-se agora entrar na final
dos play-off, quando em Espanha e Itália ainda falta disputar
uma jornada das respectivas fases regulares…
A grande razão para isto acontecer, é o facto de
o Comité Internacional de Rink Hockey ter marcado o campeonato
do mundo para Junho. Esse facto obriga a que as provas nacionais
sejam todas “condensadas” num menor espaço
de tempo.
Devo referir que o Comité Europeu, do qual faço
parte por inerência do cargo que ocupo, está a estudar
os modelos competitivos internacionais. Uma das condições
para a disputa dos Campeonatos Europeus e Mundiais é para
que se disputem sempre em Setembro.
Posso-lhe dizer que o próximo Campeonato da Europa –
2008 – está marcado para Junho, mas a própria
Liga de Clubes Espanhola concordou que essa prova fosse disputada
em Setembro. Agora há um problema, pois a Federação
Espanhola tem um acordo com a cidade de Oviedo para que a prova
seja disputada em Junho. Mas temos tempo para mudar, e espero
bem que isso aconteça.
Se o Campeonato da Europa for disputado em Junho, os campeonatos
nacionais podem começar mais cedo. Mas isso trará
muitos problemas, pois os atletas têm de descansar!
O que espera desta final do Play-Off, entre
Porto e Benfica?
Como adepto de hóquei em patins, acho que seria muito interessante
se houvessem cinco jogos. Aliás, as datas foram alteradas
a pensar nessa possibilidade. O adiamento nas datas teve em linha
de conta o facto de a 2ª eliminatória ainda não
estar resolvida; teve a ver com o facto de a selecção
só chegar na Terça-Feira, e temos de dar tempo aos
clubes para prepararem a ultima eliminatória. Por fim,
o interesse mediático que vai ter aquela semana, uma semana
de hóquei intenso. Sinceramente, espero que ganhe o melhor,
e que o play-off vá até ao fim.
As regras do play-off têm favorecido
o espectáculo…
Sim, o play-off tem essa particularidade. A preparação
para um play-off é diferente da preparação
para uma fase regular. Assim, o campeão nacional será
aquele que teve de enfrentar a fase regular, e além disso,
conseguiu superar uma outra fase, com jogos de cariz totalmente
diferente, onde só a vitória interessa. Apesar de
todas as dificuldades, por termos de encurtar as datas, esta fase
está a ser muito interessante. Nas meias-finais teve de
se fazer três jogos. Isto é competição
no seu máximo!
Apesar dos nossos esforços, apenas conseguimos 15 dias
de “intervalo” entre o final da fase regular e o início
dos play-off. Imagine se houvesse tempo para ter as equipas mais
“folgadas”, mais bem preparadas! E eu entendo que
devem ser mais. E aí voltamos ao problema: é essencial
que as provas que envolvem as selecções nacionais
sejam em Setembro, e não em Junho…
LIGA DOS CAMPEÕES
Que balanço faz da participação
dos clubes portugueses na liga dos campeões deste ano?
Tenho pena que o Porto tenha falhado mais uma final, tendo feito
um grande jogo. O lance do terceiro golo do Barcelona aconteceu
completamente fora do contexto daquilo que se tinha passado no
jogo até ali… Agora posso dizer que a final não
teve história: pois houve uma final antecipada no Barcelona
– Porto.
Quanto ao Barcelos foi pena não ter atingido a “Final
Four”. Mas foi também louvável a sua prestação.
Estou certo de que vão ter melhor sorte na próxima
edição! Já o Viana, teve azar… apanhou
o Follonica, uma equipa muito forte!
E a final foi disputada por uma equipa com
dois jogadores portugueses… conta com eles para a selecção?
O Ricardo Pereira e o Luís Viana estiveram muito bem. Mas
não fazem parte do grupo alargado das minhas opções.
Há novidades no que diz respeito
à discussão sobre a reformulação do
modo de disputa das competições europeias? Essas
mudanças vão mesmo avançar?
Sim, vamos fazer algumas alterações. O hóquei
em patins é uma modalidade muito heterogénea, com
um grande “abismo” entre as equipas portuguesas, italianas
e espanholas e as equipas dos outros países.
Por isso, ao nível de Liga Europeia, o “ranking”
de clubes tem de entrar em vigor.
A grande alteração será feita na Taça
CERS, que passará a ser uma prova de acesso à Liga
Europeia. Com estas alterações, podemos garantir
que a Liga Europeia terá à partida um nível
competitivo mais elevado.
Com jogos a meio da semana, ou no fim-de-semana?
É muito difícil fazer jogos da Liga Europeia durante
a semana. Os clubes ainda não estão preparados para
isto; Mas é evidente que o futuro terá de ser por
aí. No sistema actual, os clubes que não estão
a participar nas provas europeias, ao serem obrigados a jogar
durante a semana, porque o clube adversário teve um jogo
internacional, são prejudicados também.
Mas se os jogos da Liga Europeia fossem
disputados ao Sábado, era sinal de que essa prova seria
mais importante, e as ligas nacionais passavam para um segundo
plano…
Não necessariamente. Como é que é nas outras
modalidades? É uma questão de nos adaptarmos. Admito
que os clubes agora não tenham estrutura para isso, admito
que é um passo muito grande, e é preciso pensarmos
as coisas. Mas temos de ir por essa opção, porque
os clubes que não estão nas provas europeias também
são prejudicados.
REGRAS DO JOGO
Já falamos de alterações
nos modelos competitivos… mas e em relação
à questão da mudança das regras?
No que diz respeito ao processo de alteração das
regras, devo dizer-lhe que os membros portugueses, espanhóis
e italianos da comissão estão bastante motivados.
É que pela primeira vez, no processo de alteração
das regras do hóquei em patins, vai-se fazer experimentação,
antes de oficializar essas regras. Estamos a desenvolver um processo,
experimentando.
Pretendemos reformar completamente os regulamentos do hóquei.
Queremos um “edifício regulamentar” do hóquei
em patins coerente e bem estruturado.
Isso significam menos regras, ou regras
menos complicadas?
A proposta portuguesa reduz o articulado actual de setenta e tal
artigos para catorze. A objectividade irá imperar, fazendo
com que todos os agentes do jogo vejam o jogo da mesma maneira,
o que manifestamente não acontece agora. O processo é
contínuo, nada está definitivamente aprovado, mas
todos os agentes vão ter conhecimento das coisas.
