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Entrevista a...
Paulo Baptista
Paulo Baptista, seleccionador nacional de seniores masculinos, falou-nos dos objectivos da equipa nacional a curto prazo.
Mas não foi só da selecção que se falou. Debatemos assuntos como a carreira dos clubes portugueses nas competições europeias, mudanças nas regras e nos quadros competitivos…e a final do play-off.

05/04/2007 Nelson Alves

SELECÇÃO NACIONAL

Que antevisão faz dos adversários de Portugal no Torneio de Montreux, e depois, na primeira fase do Mundial?
O Torneio de Montreux está integrado na preparação da selecção para o Mundial. Vamos testar a equipa, nomeadamente ao nível táctico e de entendimento entre os atletas, para termos um bom suporte colectivo para enfrentar o Mundial. Por outro lado, vamos observar em competição alguns jogadores que não iniciaram este processo, que começou no ano passado.
Mas o nosso grande objectivo é o Mundial, que terá duas fases. Queremos ter a melhor classificação possível para enfrentar os oitavos de final, e portanto, vamos querer ganhar todos os jogos!

Mas teoricamente são três equipas (França, Estados Unidos e Moçambique) com valores completamente diferentes…
Sim, mas temos de os vencer. O que é preciso é encarar cada jogo, tendo em conta as características do adversário. O facto de considerarmos “à priori” que uns são mais fortes do que os outros, não é importante.

Neste estágio dá-se mais prioridade à condição física dos atletas do que em anos anteriores?
Não. Este estágio foi dividido em dois micro-ciclos. O primeiro, na semana passada, com três unidades de treino. Adaptamos essas unidades de treino aos atletas e aos clubes em que jogam, e sem dúvida que tivemos sempre uma parte dedicada à recuperação física. Também tivemos uma componente teórica e de procedimentos tácticos. Nesta segunda semana, pretendemos aprofundar essas componentes, e preparar os jogos.

Porque não há jogos de preparação?
Preferi não fazer jogos de preparação, pois os jogadores estão num quadro competitivo intenso, ainda com a 3ª Eliminatória dos play-off pela frente, nomeadamente a final. Uma vez que convoquei apenas dez jogadores, não quero correr riscos desnecessários, como lesões que possam prejudicar os atletas nos seus compromissos com os clubes.

Para o Mundial, você vai dispor de cerca de três semanas de estágio de preparação…
Sim, é o que está planeado, embora tenha de haver uma gestão ao nível individual, pois há jogadores que irão terminar mais cedo, e há que controlar se os atletas que vão participar no Mundial se vão manter em actividade ou não. Há que garantir o “não abaixamento” da condição física deles, até ao inicio do estágio.
Nessa fase, já haverão jogos de preparação. Estão a ser estudadas várias hipóteses, mas tudo será decidido quando eu regressar de Montreux.

Quais são as suas expectativas, em termos de publico, mediatismo, competitividade, para esta edição do Campeonato do Mundo?
No que diz respeito ao trabalho da selecção, não podemos pensar se há muito ou pouco publico. Mas obviamente que o impacto desta prova será muito maior que em 2005, pois Montreux é uma região onde o hóquei é uma modalidade querida. Com a particularidade de esta ser uma região onde há muitos portugueses, e por isso seremos com certeza muito apoiados, como tem sido apanágio dos nossos emigrantes!
Por outro lado, é muito bom ver grandes jogos de hóquei com o pavilhão cheio, como aconteceu agora na “final four”, em Bassano. Foi um espectáculo! Como é que ainda é possível dizer-se que o hóquei não é espectacular? Ou que não tem popularidade?



CAMPEONATO NACIONAL

Em Portugal, vai-se agora entrar na final dos play-off, quando em Espanha e Itália ainda falta disputar uma jornada das respectivas fases regulares…
A grande razão para isto acontecer, é o facto de o Comité Internacional de Rink Hockey ter marcado o campeonato do mundo para Junho. Esse facto obriga a que as provas nacionais sejam todas “condensadas” num menor espaço de tempo.
Devo referir que o Comité Europeu, do qual faço parte por inerência do cargo que ocupo, está a estudar os modelos competitivos internacionais. Uma das condições para a disputa dos Campeonatos Europeus e Mundiais é para que se disputem sempre em Setembro.
Posso-lhe dizer que o próximo Campeonato da Europa – 2008 – está marcado para Junho, mas a própria Liga de Clubes Espanhola concordou que essa prova fosse disputada em Setembro. Agora há um problema, pois a Federação Espanhola tem um acordo com a cidade de Oviedo para que a prova seja disputada em Junho. Mas temos tempo para mudar, e espero bem que isso aconteça.
Se o Campeonato da Europa for disputado em Junho, os campeonatos nacionais podem começar mais cedo. Mas isso trará muitos problemas, pois os atletas têm de descansar!

O que espera desta final do Play-Off, entre Porto e Benfica?
Como adepto de hóquei em patins, acho que seria muito interessante se houvessem cinco jogos. Aliás, as datas foram alteradas a pensar nessa possibilidade. O adiamento nas datas teve em linha de conta o facto de a 2ª eliminatória ainda não estar resolvida; teve a ver com o facto de a selecção só chegar na Terça-Feira, e temos de dar tempo aos clubes para prepararem a ultima eliminatória. Por fim, o interesse mediático que vai ter aquela semana, uma semana de hóquei intenso. Sinceramente, espero que ganhe o melhor, e que o play-off vá até ao fim.

As regras do play-off têm favorecido o espectáculo…
Sim, o play-off tem essa particularidade. A preparação para um play-off é diferente da preparação para uma fase regular. Assim, o campeão nacional será aquele que teve de enfrentar a fase regular, e além disso, conseguiu superar uma outra fase, com jogos de cariz totalmente diferente, onde só a vitória interessa. Apesar de todas as dificuldades, por termos de encurtar as datas, esta fase está a ser muito interessante. Nas meias-finais teve de se fazer três jogos. Isto é competição no seu máximo!
Apesar dos nossos esforços, apenas conseguimos 15 dias de “intervalo” entre o final da fase regular e o início dos play-off. Imagine se houvesse tempo para ter as equipas mais “folgadas”, mais bem preparadas! E eu entendo que devem ser mais. E aí voltamos ao problema: é essencial que as provas que envolvem as selecções nacionais sejam em Setembro, e não em Junho…
 

LIGA DOS CAMPEÕES

Que balanço faz da participação dos clubes portugueses na liga dos campeões deste ano?
Tenho pena que o Porto tenha falhado mais uma final, tendo feito um grande jogo. O lance do terceiro golo do Barcelona aconteceu completamente fora do contexto daquilo que se tinha passado no jogo até ali… Agora posso dizer que a final não teve história: pois houve uma final antecipada no Barcelona – Porto.
Quanto ao Barcelos foi pena não ter atingido a “Final Four”. Mas foi também louvável a sua prestação. Estou certo de que vão ter melhor sorte na próxima edição! Já o Viana, teve azar… apanhou o Follonica, uma equipa muito forte!

E a final foi disputada por uma equipa com dois jogadores portugueses… conta com eles para a selecção?
O Ricardo Pereira e o Luís Viana estiveram muito bem. Mas não fazem parte do grupo alargado das minhas opções.

Há novidades no que diz respeito à discussão sobre a reformulação do modo de disputa das competições europeias? Essas mudanças vão mesmo avançar?
Sim, vamos fazer algumas alterações. O hóquei em patins é uma modalidade muito heterogénea, com um grande “abismo” entre as equipas portuguesas, italianas e espanholas e as equipas dos outros países.
Por isso, ao nível de Liga Europeia, o “ranking” de clubes tem de entrar em vigor.
A grande alteração será feita na Taça CERS, que passará a ser uma prova de acesso à Liga Europeia. Com estas alterações, podemos garantir que a Liga Europeia terá à partida um nível competitivo mais elevado.

Com jogos a meio da semana, ou no fim-de-semana?
É muito difícil fazer jogos da Liga Europeia durante a semana. Os clubes ainda não estão preparados para isto; Mas é evidente que o futuro terá de ser por aí. No sistema actual, os clubes que não estão a participar nas provas europeias, ao serem obrigados a jogar durante a semana, porque o clube adversário teve um jogo internacional, são prejudicados também.

Mas se os jogos da Liga Europeia fossem disputados ao Sábado, era sinal de que essa prova seria mais importante, e as ligas nacionais passavam para um segundo plano…
Não necessariamente. Como é que é nas outras modalidades? É uma questão de nos adaptarmos. Admito que os clubes agora não tenham estrutura para isso, admito que é um passo muito grande, e é preciso pensarmos as coisas. Mas temos de ir por essa opção, porque os clubes que não estão nas provas europeias também são prejudicados.

 

REGRAS DO JOGO

Já falamos de alterações nos modelos competitivos… mas e em relação à questão da mudança das regras?
No que diz respeito ao processo de alteração das regras, devo dizer-lhe que os membros portugueses, espanhóis e italianos da comissão estão bastante motivados. É que pela primeira vez, no processo de alteração das regras do hóquei em patins, vai-se fazer experimentação, antes de oficializar essas regras. Estamos a desenvolver um processo, experimentando.
Pretendemos reformar completamente os regulamentos do hóquei. Queremos um “edifício regulamentar” do hóquei em patins coerente e bem estruturado.

Isso significam menos regras, ou regras menos complicadas?
A proposta portuguesa reduz o articulado actual de setenta e tal artigos para catorze. A objectividade irá imperar, fazendo com que todos os agentes do jogo vejam o jogo da mesma maneira, o que manifestamente não acontece agora. O processo é contínuo, nada está definitivamente aprovado, mas todos os agentes vão ter conhecimento das coisas.

 
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