De 5 para 46 crianças, em dois anos!
Escolinhas do Feira são sucesso!
O Clube Académico da Feira decidiu, em boa hora, apostar na formação. Assim, as escolinhas de patinagem, que há dois anos tinham apenas 5 crianças inscritas, têm agora… 46!
Foi com alegria que, no passado Sábado, nos deslocámos até ao Pavilhão da Lavandeira, em Santa Maria da Feira, para ver ao vivo a azáfama e a alegria de dezenas de crianças a aprender a patinar e a dar os primeiros passos no hóquei em patins.
Há dois anos atrás, as manhãs de Sábado eram muito mais aborrecidas: só haviam cinco crianças a aprender a patinar. No início da época passada, o coordenador das camadas jovens do Académico, Eduardo Duarte, apresentou um projecto para a dinamização das camadas jovens, que está agora em vigor, com muito sucesso! Actualmente, são 46, entre rapazes e raparigas, as crianças que alegram as manhãs de Sábado naquele pavilhão.

O treinador das escolinhas e dos benjamins, Bruno Reis (38 anos, carteira de treinador de nível 3), explicou ao “Mundo do Hóquei” qual a estratégia do Clube Académico da Feira: “No ano passado fizemos alguma publicidade, com prospectos e folhetos que deixámos nos carros das pessoas. Se não saíssemos do pavilhão, ninguém viria ter connosco. Mas a pouco e pouco, foram aparecendo cada vez mais crianças. Organizámos e recuperámos algum material usado, adquirimos mais patins e… agora até paramos de divulgar estas escolinhas, porque por agora não temos capacidade para acolher mais crianças!”, diz.
O Clube Académico da Feira só pede aos pais que tragam sapatilhas, pois os patins de iniciação são fornecidos pelo clube. Cada criança fica no mínimo um ano a frequentar as classes de patinagem, mas depois é integrado nas equipas de escolares, benjamins e infantis.
Bruno Reis afirma que “aceitamos crianças entre os 3 e os 10 ou 11 anos. Antes só aceitávamos crianças até aos 9 anos, mas com a escassez de jogadores que há, decidimos aceitar todas as crianças interessadas”.
E essa abertura já tem dado frutos: da equipa que se sagrou, recentemente, Campeã Distrital de Iniciados (Associação de Patinagem de Aveiro), há três crianças oriundas de outros clubes, e duas que já vieram desta escolinha de patinagem: “se não fosse assim, não teríamos tido dez jogadores para formar a equipa”, explica Bruno Reis.
Componente de Solidariedade
Além de divulgar esta escolinha na cidade, o Clube Académico da Feira assinou um protocolo com o Centro Social de Santa Cruz, uma Instituição de Solidariedade Social que acolhe crianças desfavorecidas. “Estas crianças são, de um modo geral, mais independentes e motivam-se mais facilmente para a prática desportiva. Das crianças que vieram dessa instituição, já temos um integrado nos escolares. A prática de desporto faz muito bem à auto-estima destas crianças carenciadas”, assevera Bruno Reis.
Para o monitor, “o clube deve continuar com este projecto, também na componente solidária, pois é bom para todos e serve de exemplo a outros clubes que se queixam da falta de jogadores para formar equipas!”, desabafa.
No entanto, Bruno Reis volta a alertar para “a falta de espaço no pavilhão e de material”, pelo menos nesta altura.

Feira preferiu apostar na formação…
O presidente da direcção do Clube Académico da Feira, Sr. Amadeu Pinto, explicou que “no início da época passada, decidimos encarar a formação como sendo um investimento, e uma aposta a longo prazo. O nosso objectivo é ter a equipa de seniores constituída a 100% por jogadores da terra!”.
O facto de as taxas de transferências serem muito elevadas, só vem dar motivos aos responsáveis pelo clube fogaceiro: “queremos fortalecer a formação, temos agora 60 ou 70 miúdos e miúdas nas camadas jovens, e queremos ter cada vez melhores resultados desportivos”.
Há 12 anos à frente dos destinos do clube, Amadeu Pinto acredita que “é natural que a crise económica nos dificulte a angariação de apoios para este tipo de aposta na formação. É difícil trazer mais crianças, porque como sabemos, o hóquei em patins é, de facto, uma modalidade cara. No entanto, o hóquei em patins já foi a segunda modalidade mais popular em Portugal, pelo que não podemos deixar isto acabar!”.
O presidente do clube informa ainda que “a partir de Março, quando tivermos mais alguns patins disponíveis, vamos voltar a divulgar o hóquei em patins nas escolas da cidade, para trazer mais crianças para cá!”.
Por fim, Amadeu Pinto informou que, para além “do apoio que a Câmara Municipal da Feira tem dado para a formação, todos os anos”, o Clube Académico da Feira tem tido o apoio de empresas particulares, como são o caso do E-Leclerc, Nuno Rocha, Patricio’s SA, Aquafeira, entre outros.


