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Benfica sorri em final épico

Benfica sorri em final épico
O Benfica venceu o Porto por 6-4 e somou a 11ª vitória no Campeonato em outros tantos jogos. Épico. O Clássico esteve à altura das expectativas dos am...

O Benfica venceu o Porto por 6-4 e somou a 11ª vitória no Campeonato em outros tantos jogos.

Épico. O Clássico esteve à altura das expectativas dos amantes da modalidade e, como num bom filme de suspense, teve uma reviravolta – já inesperada - no final.

Pedro Nunes tinha avisado para as dificuldades que poderiam surgir num primeiro embate com este Porto de Cabestany e a primeira parte mostrou que a “profecia” não era de forma nenhuma infundada. O Porto entrou muito bem e – numa primeira parte de muitas cautelas de parte a parte - esteve melhor em praticamente todos os capítulos do jogo, sendo mesmo mais rematador que o anfitrião.

Cunho táctico de Cabestany “venceu” na primeira parte

No entanto, seria o Benfica a recolher aos balneários na frente, com um golo de Nicolía aos nove minutos um pouco caricato. O habitual remate cruzado saiu estranhamente frouxo e, talvez surpreendido, Reinaldo Garcia não evitou o desvio para o interior da baliza à guarda de Nelson Filipe. Os dois internacionais argentinos, campeões do Mundo este ano, protagonizariam na segunda parte um duelo pessoal muito intenso, com Reinaldo na marcação a Nicolía.

Ao intervalo a desvantagem acabava por ser injusta para um Porto muito bem organizado que contrariou o jogo do Benfica, e os azuis-e-brancos prová-lo-iam no arranque da segunda parte. Antes, a fechar uma primeira parte tensa, Tiago Rafael rematou sobre o apito final e atingiu Telmo Pinto, dando inicio a uma quente troca de argumentos entre os jogadores das duas equipas, resolvida no entanto sem problemas de maior.

Sobre o apito para o intervalo as emoções vieram ao de cima, com os jogadores a discutirem lances de uma primeira parte tensa

Pese muito táctica, a primeira parte foi jogada de forma intensa. Na segunda parte juntou-se o condimento da velocidade para o espectáculo que estava prometido. Num ataque rápido aos quatro minutos, Hélder Nunes fez o empate - surgindo solto e a bater Trabal num remate rasteiro - e, três minutos depois, Jorge Silva, com facilidades da defensiva encarnada que se ficou a queixar de um eventual toque com o patim na condução de bola, consumou a reviravolta num remate entre as pernas, de costas para a baliza.

O público que compôs o pavilhão da Luz, sem nunca descansar no apoio à equipa da casa, duvidou. Celebrou um azul a Jorge Silva que levou Nicolía para a marca de livre directo, mas a marcação displicente permitiu a defesa a Nelson Filipe, protagonista de mais uma excelente exibição sob o olhar atento do interventivo suplente Edo Bosch.

Rafa assinou um 2-4 que parecia lançar o Porto para a vitória

O habitual marcador de livres directos do Benfica desperdiçaria ainda outro livre directo, aos 12 minutos, a castigar a 10ª falta azul-e-branca, e os dragões cresciam em confiança. E, pese Nicolía ter restabelecido a igualdade com uma dezena de minutos para jogar, desviando um passe vertical de Tiago Rafael, os dragões “fugiram” no marcador.

Logo na resposta ao segundo golo do argentino do Benfica, Vítor Hugo, completamente solto na área, foi frio e bateu Trabal para o 2-3 e, minuto e meio volvido, Rafa, num remate forte de meia-distância, fez o 2-4. Nicolía – sempre ele – minorou a desvantagem para a diferença mínima, numa daquelas picadinhas mágicas mas a levantar polémica na proporção a que o argentino levanta a bola, mas o andar do relógio era cúmplice da equipa do Porto.

A altura da habitual polémica, culminada com um remate picado para o 3-4. Fica a beleza do gesto técnico…

Cabestany apresentou na Luz uma equipa jovem mas muito bem organizada, muito fria e cerebral, numa “galáxia muito, muito distante” da anarquia táctica que rege a maioria das equipas portuguesas e em particular os seus jogadores.

Acabaria por ser essa frieza a comprometer de alguma forma os dragões. A menos de quatro minutos do apito final, Valter Neves viu o azul por palavras e, com os encarnados em igual desvantagem no marcador e em jogadores de pista (3-4), tudo parecia perdido na Luz para a equipa que para o campeonato só conhecera o sabor da vitória nos últimos 32 jogos. Mas o Porto optou por segurar e jogar com o relógio e tal custar-lhe-ia caro. Já nos dois minutos finais, Pedro Nunes lançou pela primeira vez na partida Miguel Rocha, forte na meia distância, para tentar o que já soava a milagre. E para tal não havia qualquer apelo a rigor táctico, não podia passar pela cabeça. Era uma questão de coração.

Encarnados “sobreviveram” a inferioridade numérica já dentro dos quatro minutos finais

A minuto e meio do fim, o Benfica fez a 15ª mas Gonçalo Alves permitiu a defesa a Trabal num capítulo em que os guarda-redes já contavam quatro livres directos negados aos atacantes. Os azuis-e-brancos contavam apenas 12 faltas mas não tardaram a chegar também às 15. Depois de dois livres directos desperdiçados por cada equipa, Nicolía foi chamado à tentativa de bater Nelson Filipe e à terceira foi de vez, fazendo o 4-4 num remate rasteiro com 68 segundos para jogar. Era o quarto capítulo de uma saga de golos em que só o argentino era protagonista para o lado dos encarnados.

O jogo entrava no último minuto com tudo por decidir mas com os encarnados por cima animicamente. Pedro Nunes mantinha a aposta em Tiago Rafael e em Miguel Rocha – tipicamente os jogadores de pista menos utilizados – e ganhou acabaria por ganhar o jackpot…

Tiago Rafael assinou o golo da derradeira reviravolta

Tiago Rafael, número 14 dos encarnados, marcou a 14 segundos do final e levou a Luz à loucura. Tão depressa o natural de Turquel não mudará o número que foi verdadeiramente talismã… Em desvantagem depois de largos minutos à frente do marcador, o Porto tentou em desespero o ataque com cinco jogadores de pista, consciente de uma baliza desguarnecida. Miguel Rocha recuperou a bola na sua área e rematou certeiro, praticamente de baliza a baliza, para o 6-4 final que, a quatro segundos do derradeiro apito, selava o desfecho do encontro.

Desolado, Nelson Filipe era a imagem do sentimento portista

No final da partida, os técnicos concordaram – em conferência de imprensa realizada em conjunto – numa derrota cruel para os azuis-e-brancos. Guillém Cabestany estava visivelmente abatido por um final de partida que já não julgava possível enquanto Pedro Nunes reconheceu que o Benfica não entrou bem, também com mérito para o rival.

O técnico encarnado apontou também alguns erros (para os dois lados) à prestação da equipa de arbitragem, que Cabestany optou por não comentar.

Porto fora do pódio

Com esta vitória, o Benfica aumentou a vantagem para o Porto para nove pontos e coloca pressão sobre a Oliveirense, a sete, que este domingo recebe o Valongo.

A equipa de Oliveira de Azeméis tem também a pressão de um Barcelos que, com uma vitória em Cambra por 0-3, não só ultrapassou o FC Porto como igualou a Oliveirense com 26 pontos. Tó Neves e os seus pupilos procuram somar mais três pontos antes de uma entrada em 2016 que se antevê muito complicada. Na 12ª jornada, primeira do novo ano, a Oliveirense desloca-se ao Dragão Caixa para, logo na jornada seguinte, receber o Benfica.



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