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Académica de Coimbra com dificuldades

Académica de Coimbra com dificuldades
Apesar da subida à segunda divisão nacional, a equipa de Hóquei em Patins da Académica de Coimbra encontra várias dificuldades financeiras.

Apesar da subida à segunda divisão nacional, a equipa de Hóquei em Patins da Académica de Coimbra encontra várias dificuldades financeiras, em entrevista ao Diário de Coimbra, o presidente João Rodrigues fala um pouco sobre os problemas que o clube enfrentou e poderá vir a enfrentar num futuro próximo. 


Diário de Coimbra (DC): A época que está a terminar foi profícua para o hóquei em Patins da AAC, porém, surgiram problemas financeiros que estão a dificultar o quotidiano da secção?

João Rodrigues (JR): A nível desportivo, sem dúvida, que estivemos em grande nível. Alcançámos a melhor classificação de sempre em seniores femininos, subimos, em seniores masculinos, à 2.ª Divisão Nacional, vencemos o Campeonato Nacional Universitário e colocámos dois jogadores na selecção nacional. Aumentámos, também, o número de praticantes na formação e ajudámos directamente na melhoria das condições do pavilhão n.º 1. Tudo estava a correr de feição, todavia, em meados de Fevereiro deparámo--nos com dificuldades financeiras inesperadas e que, infelizmente, estão a comprometer a viabilidade da secção. Face ao orçamentado recebemos menos 19 mil euros do que o esperado e agora teremos de recuperar essa verba em receitas extraordinárias, sob pena de hipotecarmos o futuro. O que nesta fase é bastante complicado.

DC: A verba que faltou e que foi orçamentada era proveniente de onde?
JR: Do regulamento Desportivo Municipal. Em 2009/10 recebemos 35 mil euros e este ano apenas 16 mil euros e ainda se incluiu as verbas provenientes da Queima das Fitas. A explicação que nos foi dada é que o corte foi para todas as secções, todavia, o que eu pedia era que tivessem informado as secções mais cedo e que a distribuição tivesse sido feita mais cedo para que as direcções pudessem trabalhar com maior tranquilidade.

DC: Mas existem soluções à vista?
JR: Neste momento só o trabalho da direcção é insuficiente para ultrapassar esses problemas, porque falamos de uma verba considerável. Por isso, teremos de mobilizar pais e amantes da modalidade para conseguirmos debelar esta problemática. O hóquei é um desporto exigente financeiramente, não só a nível de material como também de taxas de inscrição das equipas na federação. Temos agendadas várias campanhas, como a gala anual do hóquei, que servirá também de angariação de fundos, o Torneio Cidade de Coimbra, dias 1, 2 e 3 Julho, que é um dos maiores eventos nacionais na modalidade e que este ano contará com equipas estrangeiras. Ao todo são 31 equipas, ou seja, quatro por escalão. E o lançamento da revista do hóquei, que esperemos sirva de impulso para algumas receitas.

DC: A continuidade da secção está posta em causa?
JR: Não queria colocar as coisas nesses termos, nem colocar essa hipótese, porque acredito que iremos conseguir reunir esforços para reunirmos as verbas necessárias. Queria afastar essa hipótese mas infelizmente não posso. Neste momento, se a época estivesse para começar não teríamos forma de continuar.

DC: Então quer com isso dizer que a secção, neste momento, não teria verbas para inscrever as suas equipas na federação?
JR: Claro que não. Mas acredito que até Agosto, Setembro, no máximo, teremos esse dinheiro.

DC: Falamos de que montante?
JR: Só para iniciar a temporada a secção necessita de 10 mil euros. Essa verba se não for logo paga, as equipas não poderão competir. A isso teremos de juntar a verba em falta para terminar a época actual, porque temos vários escalões ainda em competição. Aliás, apesar de ser quase impossível, os seniores femininos estão a lutar pelo título nacional. Até Agosto precisamos de 15 mil euros, caso contrário, não sei como será o futuro.

DC: Apesar deste impasse a nova época já estará, logicamente, a ser preparada? Quais os objectivos para o próximo ano?
JR: Estamos agora a começar. As bases terão de ser completamente diferentes para não termos dissabores, agora, tentaremos que os objectivos desportivos não sejam condicionados pela parte financeira. Se conseguirmos colocar a secção a andar queremos a permanência na 2.ª Divisão.

DC: Os escalões de formação pagam para jogar?
JR: Sim pagam uma quota anual mas, deixe-me referir, que é das quotas mais baixas da cidade, apesar de o material ser caro.

DC: A secção está prestes a comemorar o 75.º aniversário, seria difícil fechar agora as portas?
JR: Como já referi, queremos evitar isso a todo o custo e esperamos consegui-lo. Espero que os 75 anos da secção, em 2012, coincidam com a nossa recuperação.

DC: As eleições estão agendadas para o início de Julho. Será novamente candidato a presidente da direcção?
JR: Claro que gostaria de continuar, porque penso que um ano é insuficiente para colocarmos em prática um projecto. No entanto, em termos académicos não sei se será possível continuar. Vou agora reflectir e depois tomar uma decisão. Todavia, se não continuar estão lançadas as bases para dar seguimento ao trabalho desta direcção.

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