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São Roque despede-se da Segunda

São Roque despede-se da Segunda
O Mundo do Hóquei falou com José Vieira, o treinador da equipa madeirense do Clube Desportivo São Roque, que teve uma rápida passagem pela Segunda Divisão

(foto: CD São Roque)

Mundo do Hóquei (MdH): Ao terminar o Campeonato Nacional da Segunda Divisão no último lugar da Zona Norte, há algum aspecto positivo a registar?
José Vieira (JV): Não poderei falar de muitos aspectos positivos nesta campanha na segunda divisão.
A verdade é que esperava mais da equipa mesmo sabendo das nossas condicionantes em vários aspectos.

Mas posso referir que fiquei satisfeito pelo facto da equipa se conseguir manter “unida” apesar de termos bastantes derrotas o que não é fácil... estar motivado e conseguir que eles cumpram quer em treinos quer em jogos.

De realçar pela positiva o apoio incondicional que sempre tivemos em casa apesar de pouquíssimas vezes termos dado alegrias à nossa massa adepta e aproveito aqui para agradecer às pessoas que sempre estiveram connosco, principalmente nos momentos menos bons.



MdH: Que factores contribuíram para que o Clube Desportivo São Roque terminasse nesta posição?
JV: Começando pelo facto de sermos insulares e termos de viajar sempre que nos deslocamos fora da região, tendo os atletas de se levantar às 05:00h da manhã, já por si só é um factor de desgaste para o atleta.

A última posição deve-se ao facto de o campeonato ter começado mal mesmo antes do CD São Roque jogar qualquer jogo uma vez que foi-nos imposto um calendário “inconcebível” para o planeamento de uma equipa. As jornadas duplas em casa foi um dos factores fundamentais para um começo desastroso a todos os níveis e a ajudar “à festa” jogávamos na semana imediatamente a seguir com uma dessas equipas o que para um treinador fazer um planeamento e um estudo mais aprofundado das equipas era bastante difícil.

Na primeira volta jogamos quase sempre com jornadas duplas em casa e na segunda volta praticamente íamos jogar somente de 15 em 15 dias fora de casa (por vezes 21 dias com a Taça de Portugal) o que era verdadeiramente desmotivador.

Os próprios treinos deixaram de ser “os necessários” para passarem a ser os “possíveis” pois a desmotivação foi geral.

Apareceram lesões pelo meio e a forma dos atletas nunca foi constante e era geral um rendimento abaixo do pretendido.

Outro factor para um inicio de campeonato desastroso (logo nos dois primeiros meses tivemos nove derrotas) foi não conseguirmos ter jogos de pré-época por não termos equipas na região com quem os disputar.
Junto a isto, a falta de experiência da equipa que em vários jogos onde poderíamos pontuar, não o fizemos por cometermos erros que se pagam caro com equipas com muito mais experiência e mais “rodagem” na Segunda Divisão (e com a obrigatoriedade de inicialmente fazermos jogos todos em casa, perdemos a capacidade de poder recuperar na segunda volta).

De salientar, e não quero arranjar desculpas para o insucesso e eu como treinador não quero entrar por aí, as arbitragens menos conseguidas pois todos nos queixamos do mesmo, mas chego à conclusão que os jogadores e treinadores foram os que melhor se adaptaram às novas regras... e os árbitros nem por isso.


 
 
MdH: O que deve ser feito para, no futuro, o Clube Desportivo São Roque, ou outra equipa madeirense, conseguir obter mais e melhores resultados?
JV: Sempre disse que o trabalho deve começar em casa, isto é, na região pois só temos uma ou duas equipas para podermos disputar um torneio ou mesmo campeonato regional.

A juntar a isto, em termos de formação acontece o mesmo, pois só existem quatro equipas e os jogos são escassos e (na estrutura actual) não vejo ninguém que queira mudar a situação para melhor, que seria combater o comodismo e fazer com que se crie equipas (clubes) na formação para o atleta madeirense poder ter um campeonato muito mais disputado e assim conseguir evoluir mais para num futuro poder entrar na equipa sénior e não haver uma diferença de valores e capacidades tão grande.

Podemos tirar as conclusões com os fracos resultados dos escalões de formação quando se deslocam a torneios no Continente.

A partir daqui e com a desmotivação dos atletas, muitos desistem mesmo antes de chegarem a uma equipa sénior e por isso se torna bastante difícil fazer um recrutamento de jogadores para se poder completar um plantel.
As equipas madeirenses têm a sua força própria e o jogador madeirense tem valor e já demonstrou isso mesmo ao longo destes anos, mas com todos estes factores negativos o Hóquei em Patins tem tendência a desaparecer na Região Autónoma da Madeira.

Cabe a todos mudar mentalidades e trabalhar em prol de uma modalidade muito querida na Ilha e que tem bastantes praticantes, sob pena de desaparecer mais uma actividade tão completa e que tantas alegrias deu a Portugal.

Agradeço a oportunidade pela entrevista que o Mundo Hóquei me concedeu, felicitando-vos pelo trabalho desempenhado em prol do Hóquei em Patins Nacional.

Comentários

  • Marco Caires: Eis o retrato fiél do que, infelizmente, foi a presente época do São Roque!! Mas como não só de vitórias vivem os que verdadeiramente gostam do Clube e das pessoas, resta acabar o campeonato com dignidade, atitude e empenho!! Podemos cair, ...mas caímos sempre de pé!! Depois, e na minha opinião pessoal, que conta o que conta, alguns atletas devem reflectir sobre as suas prestações ao longo destes mesews de competição. Pese embora todas as adversidades que o mister referiu, e são verdades incontornáveis, a a atitude e a experiência já adquirida tem que aparecer quandoa equipa mais precisa. Considero-me uma das pessoas que mais apoia e defende a equipa, mas esta época tivemos jogadores influentes que deram muitos "tiros nos pés" e que no final reflectiu-se na perda de muitos pontos que, se calhar, podiam fazer toda a diferença!! Resta aprender com os erros, descansar nas férias e voltar em força!! Parabéns a todos e domingo, pelas 15 Horas, lá estarei!!

  • Emídio Ribeirinho: Nas derrotas de hoje, também se constroem as vitorias de amanha ! Força Zé !

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