Entrevista a…
Carlos Figueroa (Treinador de Hóquei em Patins)
Mundo do Hóquei: Que projectos tem para o futuro próximo, como treinador? Carlos Figueroa: Neste momento, não tenho nada em vista. Mas gostaria de de...
Mundo do Hóquei: Que projectos tem para o futuro próximo, como treinador?
Carlos Figueroa: Neste momento, não tenho nada em vista. Mas gostaria de dedicar mais tempo ao hóquei feminino, porque penso que a minha experiência este ano foi muito interessante. Penso que o hóquei feminino tem e deve estar na primeira linha e não num segundo plano. Gosto de ver todas as vertentes do hóquei em patins.
MdH: Recentemente, numa entrevista, defendeu que a Catalunha deveria ter uma selecção própria. Porque defende essa ideia?
CF: Eu nunca defendi que a Catalunha deveria ter uma selecção própria. Quando me perguntaram sobre a selecção catalã, sempre disse que uma coisa era a legalidade e a outra era que, como amante de hóquei em patins, gostaria que existissem mais selecções de grande nível. Seguramente, o aparecimento de uma selecção do nível da Catalunha, daria aos campeonatos outra perspectiva. A legalidade faz com que isso seja, neste momento, impossível, mas é um problema político e não desportivo.
MdH: Como treinador do Barcelona, com todos os grandes jogadores que tinha, alguma vez tiveste duvidas sobre o que dizia?
CF: Sempre! Mas duvidar é bom! Sempre tens de te perguntar se estás a fazer o mais correcto, e discuti sempre muito com a minha equipa técnica sobre a necessidade de fazer ou não as coisas. O facto de ter grandes jogadores era uma responsabilidade adicional, porque todos pensam que não se deve falar ou corrigir esses jogadores, mas isso não é verdade, pode-se sempre falar! Eu digo que com uma grande equipa se ganham 75% das partidas, o problema é ganhar os restantes 25%. Ganhar sempre é muito difícil, porque isto é um jogo e intervêm muitos factores que não controlas.
MdH: Ao longo da sua carreira desportiva já treinou equipas de várias categorias, e agora também feminino. Qual foi a experiência que mais o emocionou?
CF: Como te comentava antes, a experiência deste ano com o desporto feminino foi muito positiva.
Descobri uma parte do hóquei que não tinha visto e isso, numa pessoa como eu, que gosto de hóquei em patins até morrer, é uma novidade!
O hóquei feminino deve ser colocado na posição que merece. As jogadoras tiveram de crescer num mundo onde só tinham olhos para o hóquei em patins masculino, mas lutaram e já chegaram a um nível em que não podem ser ignoradas por muito tempo. A motivação, a ilusão e o nível que têm faz delas merecedoras de uma consideração que não têm neste momento.
Gostei de várias coisas ao nível do hóquei que fazem.
Por momentos, é mais divertido do que o tipo de hóquei dos rapazes: não é tão físico, e a habilidade das jogadoras impunha-se à força física. As jogadoras agradecem-nos mais e demonstram muita vontade de aprender.
Noutro tipo de coisas, têm de melhorar o nível do seu trabalho, porque querem aprender rápido e isso é difícil, porque há que treinar mais.

MdH: Alguma vez pensou em treinar alguma equipa portuguesa, mesmo sabendo das diferenças entre as competições dos dois países?
CF: Gosto de estudar e experimentar tudo o que seja hóquei em patins. Sim, já planeei ir treinar para Portugal ou Itália, mas sempre estive em Espanha.
Também é verdade que tive diversas possibilidades para fazê-lo, mas nunca encontrei o momento ideal.
MdH: Como vês o futuro próximo do hóquei em patins, a nível mundial?
CF: Neste momento, a situação do desporto em geral é muito má, a crise económica afecta todos os desportos, mas mais as modalidades que são na teoria mais pequenos, como é o caso do hóquei em patins.
A realidade é que os nossos dirigentes têm uma responsabilidade dupla, têm que realizar um bom trabalho numas condições que não são as ideais e por outro lado têm de promover este desporto.
Devem usar mais a imaginação.
Durante muitos anos, nós os treinadores, temos reclamado um maior nível de participação no desenvolvimento do jogo.
Este ano, ao fim de muitos anos, puseram em marcha umas novas regras, que foram muito positivas, mas não podemos ficar assim mais vinte anos, devemos continuar a evoluir como fazem outros desportos mais activos. Para quando uma comissão técnica internacional, que regule o jogo e que esteja constantemente a melhorar o jogo?
