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Uma semana após o título…

Quim Paüls (Secretário Técnico FC Barcelona)

Quim Paüls (Secretário Técnico FC Barcelona)
Joaquim Paüls está de saída do banco do Futbol Club Barcelona. Uma semana após a conquista do 12º título consecutivo da OK Liga, é hora de saber novidades do Barça, o melhor clube do mundo…

É com enorme prazer que, mais uma vez, o Mundo do Hóquei volta a entrevistar Joaquim Paüls: desta vez, na qualidade de secretário técnico da secção de hóquei em patins do FC Barcelona.

Além de um balanço da época que terminou com a conquista do 12º título para o FC Barcelona e de revelações em primeira mão para a próxima época, Joaquim Paüls volta a mostrar as suas preocupações com o presente e o futuro do hóquei em patins europeu e mundial.
Criticas e sugestões são deixadas a quem quiser ler…

Esta entrevista foi-nos concedida dois dias depois do anúncio da saída de Quim Paüls do comando técnico do FC Barcelona.
Nunca é demais, portanto, o nosso agradecimento público pela disponibilidade que tem demonstrado para com o Mundo do Hóquei.
Um bem-haja!


Mundo do Hóquei: Este foi o 12º título consecutivo do FC Barcelona e o seu quinto título como treinador principal.
Porque é que ficou a sensação de que este ano o título foi mais difícil de conquistar?
Quim Paüls:
Certamente foi mais difícil de conseguir, porque houve uma grande igualdade no topo da classificação, onde o Vic e o FC Barcelona estiveram lutando por conseguir o primeiro lugar na liga regular, até à última jornada.

MdH: A equipa é muito experiente… e falam-se de algumas mudanças. Não sabemos se é possivel revelar nomes, mas confirma-se que o vosso objectivo é rejuvenescer o plantel?
QP:
O plantel está fechado para a próxima temporada. Dispensamos Miquel Masoliver, um jogador que deu um rendimento extraordinário ao clube nas temporadas em que esteve connosco.
Incorporamos na parte defensiva Reinaldo García e no ataque Jordi Adroher. Baixamos um pouco a média de idades e ficámos com um oitavo jogador, devido às exigências das competições: é aconselhável ter um oitavo jogador que nos dê plenas garantias.


MdH: Ainda no hóquei espanhol, há algo que não entendemos… Ao longo da época, ao acompanharmos o desenrolar da OK Liga, ficámos com a ideia de que o Palau Blaugrana é um pavilhão que não costuma estar cheio, ao contrario do que acontece em Reus, no Liceo, etc… é verdade? Qual é a relação dos adeptos com a equipa de hóquei?
QP:
Em geral o hóquei em patins baixou em número de espectadores, e a razão é muito simples: outros desportos estão a fazer as coisas melhor e estão-nos a comer terreno ano após ano, tanto a nível mediático, como a nível desportivo e directivo.
É evidente que se não tens um escaparate onde aparecer, o desporto perde grande parte do seu interesse para o potencial adepto e isto está-se a passar com todos os clubes.
Já faz muito tempo que o FC Barcelona não consegue encher o Palau, se bem que em partidas importantes conseguimos ter 3000 pessoas. Mas sim, é verdade que nas partidas da liga regular temos uma média de espectadores muito baixa, mas se falares com Reus, Liceo e outros também te dirão que está a acontecer exactamente o mesmo.



Quim Paüls, Luís Sénica e Marchesini


MdH: Na Europa também há mudanças e você já disse varias vezes que não gosta dessas mudanças. Que futuro terá esta Liga Europeia com tantas mexidas?
QP:
Não me agrada mesmo nada que se mude constantemente o formato da Liga Europeia. Dá uma sensação de improvisação e de falta de rigor muito grande desde dentro e para fora: o espectador não sabe o que se passa – há que estudar bem um formato e levá-lo a cabo com todas as suas consequências, quando se entenda que ese é o melhor.
Em Bassano eu falei pessoalmente com Carlos Graça sobre isto, mas parece que a sua ideia de contentar a todos com uma Liga Europeia “a la carta” segundo o país organizador, é um erro gravíssimo que vai primeiro contra um objectivo comum que um desporto precisa e segundo o de estarmos na expectativa todos os anos, da decisão que o Sr. Graça tomar em função de não sei quanto dinheiro. Repare que há clubes muito importantes que estão a meter dinheiro no hóquei… e aquilo que exigem em primeiro lugar são seriedade e liderança nos organismos que governam!
A sensação com que fiquei depois da reunião com Carlos Graça é de que navegamos sempre ao sabor do vento e isto é como o árbitro que apita compensando as duas equipas e no final todos acabam chateados!
Mas isto que se está a passar também é culpa dos clubes, pois não há unidade entre nós. O Sr. Carlos Graça tem os seus interesses, que me parecem muito legítimos, de manter os seus votos para futuras eleições, mas isso não é da conta do Porto, Benfica, Reus, Vic, Bassano ou Barcelona…
Talvez seja hora de sermos nós, os clubes, de fazermos as regras, conseguir um consenso entre todos, pois no fundo o Sr. Graça deveria gerir uma competição dos clubes que estão a apostar forte na nossa modalidade, mas a falta de um critério e unidade por parte dos clubes torna esta aberração possível…
Todo o trabalho que é feito sem rigor está condenado ao fracasso e só nós, os clubes, podemos mudar esta situação.
Mais importante do que qualquer que seja a competição, o mas importante é encontrarmos um modelo definitivo e concentrarmo-nos em dar a máxima importância o hóquei em patins e ao espectáculo, mais do que a interesses particulares que nada têm a ver com o desporto!




MdH: Em ano de Mundial, a pergunta impõe-se… o FC Barcelona (e Quim Paüls…) continua a ajudar a desenvolver o hóquei em patins noutros países? Se sim, porque não divulgam esse trabalho?
QP:
A candidatura espanhola de Pep Giralt (ndr: ao CIRH), tinha todo o apoio do FC Barcelona e tanto é assim que criámos um projecto muito ambicioso e que poderia ter enorme repercussão em todos os continentes.
No entanto, uma vez mais as federações nacionais não tiveram em conta absolutamente para nada o hóquei em patins e ganhou o pior programa (se é que alguma vez existiu…), devido à política da troca de favores que tem crescido no hóquei em patins a nível mundial.
O hóquei vai morrendo porque não há imaginação suficiente, nem capacidade de trabalho, nem estima ao nosso desporto por parte da maioria dos dirigentes nacionais das federações.
Ninguém dá um único passo a favor da modalidade!
Continuamos na FIRS sem pintar nada, e as corridas e a patinagem artística estão cada vez melhor.
Uns estão a lutar fortemente pela sua candidatura aos Jogos Olímpicos e os outros estão a fazer um trabalho sério a favor da sua modalidade… e eu continuo a perguntar: QUE FAZEMOS NÓS NUMA FEDERAÇÃO QUE NÃO NOS TEM EM CONTA PARA NADA? A QUEM INTERESSA MANTERMO-NOS LÁ SEM LEVANTARMOS A CABEÇA?
Nestes últimos vinte anos, em que temos vindo a perder o poder que tínhamos na FIRS, não fizemos nada e ninguém é capaz de levantar a voz e procurar projectos alternativos… é como sentir que te estás a afogar e não levantares a cabeça debaixo de agua por pensares que é muito difícil!
Eu estou absolutamente decepcionado não com o que há actualmente, mas sim com o facto de não haver ninguém entre os actuais dirigentes internacionais que não meta as mãos neste assunto e dê um passo adiante, enfrentando o poder estabelecido. Se estão lá para fazer política, ao menos que a façam a favor do nosso desporto e não a favor deles mesmos.
E até que me demonstrem o contrario, vou continuar a pensar desta maneira!
Considero-me uma pessoa muito comedida e de modo algum conflituosa, mas o nosso desporto precisa de uma revolução!
Mas faltam ideólogos, faltam políticos à altura e falta amor por este desporto por parte de quem nos pode e deve defender!
É difícil mudar quando não há ninguém que os empurre, ninguém que os critique, ninguém que denuncie a sua inoperância, a sua falta de capacidade para gerar recursos e o seu nulo interesse por desenvolver o hóquei em patins em tantos lugares que estão à espera…







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